Equipe

 

Coordenação sub-rede Zonas Costeiras:

Carlos A. E. Garcia

Margareth S. Copertino

 

Coordenação ReBentos:

Alexander Turra

 

Comitê Científico:

Alexander Turra

Antonio Henrique da Fontoura Klein

Carlos Alberto Eiras Garcia

Márcia Regina Denadai

Margareth S. Copertino

Paulo Antunes Horta

 

Organização, Logística e Tesouraria:

Leandra Dalmas

Márcia Regina Denadai

 

Equipe de Apoio:

Priscilla Rezende Arévalo

ThaísaFernandes Bergamo

Karine Mariane Steigler

Amapola Correa

 

Realização:

INCT para Mudanças Climáticas –Zonas Costeiras

ReBentos

 

Instituto de Oceanografia - Universidade Federal do Rio Grande - FURG

IO - Universidade de São Paulo

Universidade Federal de Santa Catarina

 

Financiamento:

CNPq, CAPES e FAPESP

 

 

 

 


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumos

 

Palestras


Climate Change, Sustainable Development and Coastal Information Needs

 

Thomas C. Malone*

 

Horn Point Laboratory,University of Maryland Center for Environmental Science

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Sustainable development depends on maintaining ecosystem services which are concentrated in coastal marine and estuarine ecosystems. Analyses of the science needed to manage human uses of ecosystem services have concentrated on terrestrial ecosystems. My focus today is on the provision of multidisciplinary data needed to inform adaptive, ecosystem-based approaches (EBAs) for maintaining coastal ecosystem services based on comparative ecosystem analyses. Key indicators of pressures on coastal ecosystems, ecosystem states and the impacts of changes in states on services are identified for monitoring and analysis at a global coastal network of sentinel sites nested in the ocean-climate observing system. Biodiversity is targeted as the “master” indicator because of its importance to a broad spectrum of services. Ultimately, successful implementation of EBAs will depend on establishing integrated, holistic approaches to ocean governance that oversee the development of an integrated, operational ocean observing system based on the data and information requirements specified by a broad spectrum of stakeholders for sustainable development. However, sustained engagement of such a diversity of stakeholders on a global scale is not feasible. The global coastal network will need to be customized locally and regionally based on priorities established by stakeholders in their respective regions. The E.U. Marine Strategy Framework Directive and the U.S. Recommendations of the Interagency Ocean Policy Task Force are important examples of emerging regional scale approaches. The effectiveness of these policies will depend on the co-evolution of ocean policy and the observing system under the auspices of integrated ocean governance.

 

 

 

*Ph.D. in biological oceanography from Stanford University in 1971. His research expertise is in the dynamics of coastal marine and estuarine ecosystems, phytoplankton ecology, ocean observing systems and marine policy. He published extensively on size dependent phytoplankton dynamics in oceanic and coastal ecosystems, coastal eutrophication, ecosystem health, and marine policy. Over the last 10 years he has dedicated himself to the design and implementation of a globally integrated coastal ocean observing system that will provide data and information required for sustainable development.


Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e Hidroviárias - INPOH

 

Segen F. Estefen*

 

COPPE, Universidade Federal do Rio de Janeiro

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O Instituto Nacional de Pesquisas Oceânicas e Hidroviárias - INPOH irá se estruturar com base em 4 Centros de Pesquisa: 1) Centro de Oceanografia do Atlântico Sul, 2) Centro de Oceanografia do Atlântico Tropical, 3) Centro de Portos e Hidrovias e 4) Centro de Pesquisa Marinha em Pesca e Aquicultura.

Os objetivos estratégicos do INPOH podem ser resumidos em:

<![if !supportLists]>I.                   <![endif]>Promover e realizar estudos, pesquisa e desenvolvimento, inovação e outras atividades de interesse público nas áreas de oceanografia física, química, biológica e geológica; interação oceano-atmosfera; pesca e aqüicultura marinha; hidráulica fluvial e portuária; engenharia costeira e submarina; instrumentação; energia dos oceanos e biodiversidade marinha e costeira.

<![if !supportLists]>II.                <![endif]>Expandir a base de conhecimento sobre os oceanos, seu uso sustentável e sua influência nas mudanças climáticas, com ênfase para o Oceano Atlântico Sul e Tropical.

<![if !supportLists]>III.             <![endif]>Promover a inovação pela articulação da comunidade científica e tecnológica com empresas e pela indução de novas empresas de base tecnológica nas áreas de atuação do INPOH.

<![if !supportLists]>IV.             <![endif]>Manter, ampliar e modernizar a infraestrutura laboratorial e embarcada de apoio às atividades nas áreas de atuação do INPOH.

<![if !supportLists]>V.                <![endif]>Implantar laboratórios e centros de pesquisa, de forma independente ou em cooperação com instituições públicas ou privadas, para o avanço do conhecimento nas áreas de atuação do INPOH.

<![if !supportLists]>VI.             <![endif]>Contribuir para a formação de recursos humanos e difusão do conhecimento científico e tecnológico nas áreas de atuação do INPOH.

O INPOH irá se constituir como Organização Social, visando a interação com os Ministérios afins, tais como Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (Supervisor do Contrato de Gestão), Ministério da Defesa, Ministério da Educação e Secretária Especial dos Portos.

 

 

*Engenheiro Civil pela Universidade Federal de Juiz de Fora, M.Sc. em Engenharia Oceânica pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e PhD StructuralEngineering - Imperial College of Science, Technology and Medicine, London (1984). Pós-doutorado na Norwegian Universityof Science and Technology (1991-92). Professor Titular de Estruturas Oceânicas e Tecnologia Submarina - COPPE/UFRJ. Atua em pesquisas referentes às estruturas de navios e plataformas oceânicas, tecnologias de águas profundas e energia dos oceanos. Membro do Standing Committee do International Ship&Offshore Structures Congress e membro do Comitê Consultivo da OOAE, Division da American Society of Mechanical Engineers (ASME). Lidera o Grupo de Energia dos Oceanos da COPPE, tendo coordenado o capítulo Ocean Energy do IPCC Special Report onRenewable Energy, publicado pela Cambridge University Press em 2012. Atualmente é Diretor de Tecnologia e Inovação da COPPE/UFRJ.


Australia’s Integrated Marine Observing System (IMOS)

 

Tim Moltmann*

 

Integrated Marine Observing System, University of Tasmania, Hobart, Australia

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Australia is a ‘marine nation’, with the third largest ocean territory on the planet. Its climate and weather is strongly influenced by the ocean, significant wealth is generated from marine industries, marine biodiversity ranges from tropical reef systems to marine mammal colonies in the Southern Ocean, and most of its population lives in highly urbanised centres along a narrow coastal strip. These factors combine to create the need for national, collaborative approach to systematic and sustained observation of Australian marine environment. The Integrated Marine Observing System (IMOS) is funded by the Australian Government to deliver data-streams from the oceans around Australia to support marine and climate research. It is integrated from the open ocean onto the continental shelf and into the coast. And it is integrated across physical, chemical, and biological variables. IMOS has successfully deployed a range of state-of-the-art observing equipment, making all of the data freely and openly available through the IMOS Ocean Portal (http://imos.aodn.org.au/). IMOS is guided by a series of science Nodes - an open ocean Node, and five regional Nodes that cover Australia’s continental shelf and coastal oceans. These Nodes provide focal points for the marine and climate community and stakeholders to come together and identify science priorities and observational requirements, which are based around five major themes of research; multi-decadal ocean change, climate variability and weather extremes, major boundary currents and inter-basin flows, continental shelf and coastal process, and ecosystem responses. The observations are delivered by a suite of technology-based Facilities, operated by multiple institutions from across the nation. There are ten Facilities that collect the observations and deliver the data required to meet the scientific objectives of the Nodes. A separate Marine Information facility enables discovery, access, use and reuse of all IMOS data.For more information visit www.imos.org.au.

 

*Director of Australia’s Integrated Marine Observing System (IMOS), based at the University of Tasmania in Hobart. In this role he is responsible for planning and implementation of a $250M national, collaborative research infrastructure program, which is deploying a wide range of observing equipment in the oceans around Australia and making all of the data openly available to the marine and climate science community and its stakeholders. Tim is a highly experienced Australian research leader, having worked at the Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation (CSIRO) for over 10 years, rising to be Deputy Chief of the Marine & Atmospheric Research Division based in Hobart. He has a particular interest in research infrastructure, and has played a lead role in major national projects relating to large research vessels, and national marine information infrastructure. His international engagements include being Australia’s representative on the Indian Ocean Resources Forum, and a member of the International Science Advisory Board for Ocean Networks Canada. Tim has sat on the boards and management committees of a number of cooperative research centres and research joint ventures. He has worked in primary industries and fisheries at State Government level, and has extensive experience in private industry.


Response of coasts to sea-level rise: a consideration of spatial and temporal scales

 

Colin D. Woodroffe*

 

School of Earth and Environmental Sciences, University of Wollongong, NSW 2522, Australia

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Sea-level rise threatens to exacerbate the impact of coastal hazards, requiring adaptation on the most vulnerable shorelines. Important lessons about the response of coastlines to changes of sea level can be learnt from examining past behaviour at different temporal and spatial scales. Coastal sediments of Quaternary age have been studied in order to reconstruct sea-level changes over past millennia, but it is only in recent decades that this research has been extended to interpret coastal behaviour. Stratigraphical and chronological studies which focus on the elevation of the sea surface in the past can also provide insights into how coastal landforms have behaved. If the present is the key to the past, then the past, seen from the context of the present, can be a guide to the future. Relative sea level during the Holocene varied geographically, and a single ‘eustatic’ trend has proved elusive; similarly observed and anticipated future sea-level changes will also vary spatially. Different coasts will respond differently and models of coastal change need to be developed to replace simplistic heuristics of coastal response, such as the Bruun rule. Simulation modelling offers a suite of tools that may give coastal managers guidance, but geoscientists have struggled to validate these behavioural models, having a better understanding of coastal behaviour at millennial time scales, and in process time, than about how coasts change on decadal to century time scales.

 

*Coastal geomorphologist, Professor in the School of Earth and Environmental Sciences at the University of Wollongong. He has a PhD and ScD from the University of Cambridge, and was a lead author on the coastal chapter in the 2007 Intergovernmental Panel on Climate Change (IPCC) Fourth Assessment report. He has studied the stratigraphy and development of coasts in Australia and New Zealand, as well as on islands in the West Indies, and Indian and Pacific Oceans. He has written a comprehensive book on Coasts, form, process and evolution, co-authored a book on The Coast of Australia, and is co-author of a forthcoming book Quaternary Sea-Level Changes: a global perspective.


International Ocean Acidification Observing and Research: An Overview with special focus on U.S.-led efforts

 

Libby Jewett*

 

National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA), USA

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Efforts to monitor both the changing ocean chemistry but also the impacts of this change on marine ecosystems, as a result of ocean acidification, are expanding around the world. However, many countries are economically challenged which means that we need to seek out coordinated opportunities among countries wherever possible. This presentation will given basic details about the current understanding of open water versus coastal acidification, provide some details about research and monitoring happening around the world, and give an update on the structure of the Global Ocean Acidification Observing Network and the requirements for participation. Additionally, an overview of the US carbon and ocean acidification monitoring and research portfolio as led by the US National Oceanic and Atmospheric Administration (NOAA) will follow. This portfolio includes monitoring via ship cruises, volunteer ship observing and moorings, experimental and field research into the impacts of future pCO2 levels on marine species, development of forecasting models and synthesis products, and education and outreach. This presentation can hopefully lead to a fruitful discussion of shared interests and potential for collaboration.

 

 

 

*Director of the NOAA Ocean Acidification Program. A founding member of NOAA's Ocean Acidification Steering Committee, Jewett led NOAA-wide meetings of scientists and policymakers to conceive and develop NOAA's first comprehensive ocean acidification research plan. Chair of the ocean acidification interagency working group (OA-IWG) where she has helped develop an ocean acidification strategic research plan for the U.S. Co-chair of the Executive Council of the newly formed Global Ocean Acidification Observing Network. Ph.D. in Biology with a focus on Marine Ecology at the University of Maryland, a Master of Public Policy at Harvard University's Kennedy School of Government, and a B.A. at Yale University.


The Emergence of Blue Carbon as Policy Tool for Conservation: Recent Activity and Information Needs from the Science Community

 

Stephen Crooks*

 

Environmental Science Associates, Suite 900, 550 Kearny St, San Francisco, California, 94108 & International Blue Carbon Initiative.

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The concept of coastal blue carbon raises awareness as to the role of coastal wetland system, particularly mangroves, tidal marshes and seagrass meadows, in the global carbon cycle. Often an extension of terrestrial forests and peatlands into the marine edge, these ecosystems were, until recently, discounted as irrelevant in discussions on climate change management. It is now recognized that the emissions resulting from conversion and degradation of these ecosystems, particularly from soil carbon losses, are at a level that may be significant. This connection to climate change has raised interest by the conservation community, curious as to whether climate change mitigation activities, and possibly financing, can advance sustainable management practices and adaptation in coastal settings. A number of recent activities have advanced the discussion on, and analysis of, blue carbon. The IPCC has just adopted guidelines for the accounting of GHG emissions and removals associated with management of wetlands. (http://www.ipcc-nggip.iges.or.jp/home/wetlands.html). This document includes guidance on accounting for emissions for activities that drain or rewet wetland areas, and for coastal wetlands guidance on emissions associated with mangrove clearing, soil extraction, aquaculture, and drainage and wetland restoration. In the voluntary carbon market, the Verified Carbon Standard now recognizes Wetlands Restoration and Conservation as an eligible activity for which carbon credits may be connected. The science literature is expanding. The international Blue Carbon Initiative (http://thebluecarboninitiative.org) provides a coordinate platform for networking and dissemination of evolving science with support for national and international policy development. A number of Blue Carbon coordinated national activities are developing, including national efforts in Abu Dhabi, Australia, Indonesia, Costa Rica, and the United States. Coordinated science in Brazil would greatly support policy development for management of coastal carbon reserves and aid the application of national accounting for GHG emissions and removals for human activities in coastal wetlands.

 

*Sedimentologist, estuarine and wetland scientist, and their response to human impacts and climate change. His work quantifying the carbon budgets of coastal wetlands forms the basis of several reports and a panel event at the UNFCCC-COP 16. Post-Doctoral Research Fellowship (University of East Anglia), working with policy analysts and economists, integrating wetland into climate change mitigation and adaptation approaches. Director of Climate Change Services leads projects related to wetland restoration feasibility assessment and design, assessment of landscape response to sea level rise, guidance on the development of wetlands restoration offset protocols, and climate change adaptation planning. Technical leader in developing approaches for sustainable coastal management, including: applied approaches for climate change adaptation; mitigation of human impacts; and integrating of project, landscape level planning and wetlands restoration design. Interested in: 1) connecting expertise and building networks to develop innovative solutions; 2) applied research and policy guidance; 3) assisting companies achieve sustainability goals; 4) international projects that provide local capacity building; and 5) public outreach and shared learning.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumos

 

mesas

 


mesa 1 - Sistemas Observacionais dos Oceanos e Zonas Costeiras

 

 

The Brazilian Costal Monitoring System (SiMCosta)

 

Carlos A. E. Garcia*

 

Laboratório de Estudos do Oceano e Clima, Instituto de Oceanografia,

Universidade Federal do Rio Grande - FURG

 

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The need for an integrated and sustained coastal observing system in Brazil was one of the most important conclusions of the 2nd Workshop on Climate Changes in Coastal Zone held in Salvador (BA) in November 2011. The main reason resides in that systematic observations of the marine environment are crucial to understand how climate change is affecting coastal ecosystems. However, most of coastal ocean measurements require expensive survey programs, including the deployment of moorings, the use of ship's time and other advanced technologies. The Coastal Zone Network (Rede CLIMA and INCT for Climate Changes) conceived the Brazilian Costal Monitoring System (SiMCostaSistema de Monitoramento da Costa Brasileira), which was approved and funded by the National Climate Change Fund (MMA/ Fundo Clima) in December 2011. The SiMCosta is designed to make both transient and long-term measurements of meteorological, physical and biogeochemical properties along the Brazilian coastal zone. In its phase I, four buoys will be placed in RS, SC, PR and SP states. Data collected by several instruments in these buoys will be streamed to IO-FURG via ARGOS (meteorological) and GSM (oceanographic), which will permit scientists and coastal managers to receive data in real time from the SiMCosta portal. One of the major threats to coastal populations is storm and wave damage, which may be increasing with climate change-induced sea-level rise. In 2013, the Ministry of Science, Technology and Innovation decided to fund a network of sea level gauges to be placed in several coastal cities in Brazil. This network is also part of SiMCosta. The installation of new tide gauges directly benefits end-users, especially local communities by providing stakeholders with real-time measurement of sea-level. The SiMCosta is a joint effort among several Brazilian universities, two private companies (Brazilian and Canadian), and federal government. The current status of the project SiMCosta is described here.


Sistema de Observação do Nível do Mar na Costa Brasileira

 

Glauber A. Gonçalves1,*, Carlos A. E. Garcia2

 

1Centro de Ciências Computacionais, Universidade Federal do Rio Grande - FURG

2Lab. de Estudos do Oceano e Clima, Instituto de Oceanografia,

Universidade Federal do Rio Grande - FURG

 

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A base de sustentação de processos críticos para gestão territorial costeira é o conhecimento altamente preciso da interface terra-água, de suas características geofísicas, de sua variabilidade, da forma como a ação antrópica altera e submete essa faixa sensível e valorizada do solo do planeta. Nesse contexto é parâmetro primordial a medida do nível da água oceânica junto à costa, segundo processo geodésico robusto, que garanta sistematibilidade e longevidade das medidas e permita a segura intercomparabilidade dos registros, mesmo consideradas as extensões territoriais da costa brasileira. A Rede de Monitoramento do Nível do Mar do SIMCOSTA (Sistema de Monitoramento da Costa Brasileira) foi concebida com tais premissas, segundo modelos já implantados em outros países com extensas zonas costeiras, baseado em estrutura de tecnologia sensorial, de informação e comunicação que permitam baixa manutenção, acesso em tempo quase real às medidas de cada estação e disponibilização de dados ampla e eficiente. No total, em sua primeira fase, serão instaladas ainda no ano de 2014, 12 estações de monitoramento com configuração idêntica, dotadas estrutura física segura, de sistema autônomo de alimentação de energia por placas solares, comunicação por GPRS, armazenamento in situ com redundância de dados e monitoramento por câmara de vídeo. O sensor principal das estações é um marégrafo radar, porém, são complementares sensores de temperatura, pressão, umidade relativa, velocidade e direção do vento e visibilidade em cada estação. Uma matriz de decisão foi composta para definição precisa do local de implantação de cada estação, que a partir de abril de 2014 estarão, sequencialmente, sendo instaladas e postas em operação.


The PIRATA Program

 

Moacyr Araujo1,*, Bernard Bourlès2, Edmo Campos3, Fabrice Hernandez4, Herve Giordanni5, Michael J. MacPhaden6, Paulo Nobre7, Ramalingam Saravanan8, Rick Lumpkin6

 

1DOCEAN/CEERMA-UFPE, Brazil; 2LEGOS, France; 3IO-USP, Brazil; 4MERCATOR-Ocean, France; 5CNRM-MeteoFrance, France; 6NOAA, USA; 7CPTEC-INPE, Brazil; 8TAMU, USA

 

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The Prediction and Research Moored Array in the Atlantic (PIRATA) is a program designed to study ocean-atmosphere interactions in the tropical Atlantic that affect regional climate variability on seasonal, interannual and longer time scales. The array was originally developed in the mid-1990s and has undergone expansions and enhancements since 2005 to improve its utility for describing, understanding, and predicting societally relevant climate fluctuations. PIRATA has been implemented through multi-national cooperation in support of CLIVAR, GOOS, GCOS, and GEOSS. Financial, technical and logistic supports are provided by France (IRD in collaboration with Meteo-France, CNRS and IFREMER), Brazil (INPE and DHN) and the USA (NOAA). The configuration of the original 12 PIRATA buoys (Servain et al. 1998) was chosen to resolve the two main modes of tropical Atlantic climate variability: the equatorial mode and the meridional mode (Zebiak 1993; Chang et al. 1997). Three extensions (in the Southwest, the Northeast, and the Southeast) were initiated in 2005. Data are freely available for research and operational applications via the World Wide Web and the Global Telecommunications System (GTS). PIRATA provides free, open, and timely access to data relevant to tropical Atlantic climate studies. PIRATA places high priority on high-resolution time series measurements collected by a network of Autonomous Temperature Line Acquisition System (ATLAS) moored buoys. ATLAS measure surface meteorological variables (wind direction and speed, air temperature and humidity, rainfall and solar radiation) and oceanic properties between the surface and 500 m. PIRATA mooring hardware, sensor types, calibration procedures, temporal sampling and resolution, data processing, accuracy standards, and data transmission and dissemination protocols are identical to those of ATLAS moorings in the Pacific TAO array. Daily mean observations are available in near real time via Service Argos and Brazilian satellite transmissions. Daily mean subsurface data and hourly meteorological data at the times of satellite overpasses are also placed on the GTS by Service Argos for real-time distribution to operational centers. Measurements carried out at high frequency (from 1 min to 1 h, depending on the parameters) are stored internally and recovered during maintenance operations before being processed, calibrated, and made available to the community. More details may be found in PIRATA websites and in the state of the art PIRATA papers (e.g., Servain et al., 1998; Bourlès et al., 2008, both published at BAMS).


ReBentos – potencialidades E Dificuldades de uma rede de monitoramento de biodiversidade marinha

 

Turra, A.1,*; Amaral, A.C.Z.2; Berchez, F.3; Bernardino, A.F.4; Copertino M.S.5; Coutinho, R.6; Leão, Z.M.A.N.7; Horta, P.A.8; Schaeffer-Novelli, Y.1

 

1Departamento de Oceanografia Biológica, IOUSP

2Departamento de Biologia Animal, IB/ UNICAMP

3Departamento de Botânica, IBUSP

4Universidade Federal do Espirito Santo, UFES

5Instituto de Oceanografia, FURG

6Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, IEAPM

7Universidade Estadual da Bahia, UFBA

8Universidade Federal de Santa Catarina, UFSC

 

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A Rede de Monitoramento de Habitats Bentônicos Costeiros (ReBentos), vinculada à Sub-Rede Zonas Costeiras da Rede Clima e ao INCT para Mudanças Climáticas (MCs), visa detectar os efeitos das mudanças climáticas globais sobre a biodiversidade desses ambientes, dando início a uma série histórica de dados ao longo da costa brasileira. Após três anos de sua criação (2011-2013), a Rede conta com 143 participantes, ligados a 45 instituições de ensino e/ou pesquisa localizadas em 15 estados costeiros brasileiros. Dentre as dificuldades enfrentadas pela ReBentos estão: (1) assimetria de infraestrutura entre os diferentes grupos de trabalho; (2) integração e sinergia entre pesquisadores trabalhando à distância; (3) definição de protocolos de trabalho únicos e aplicáveis a toda a costa brasileira; (4) assimilação da problemática das MCs nas linhas de pesquisa dos pesquisadores, configurando um processo de aprendizado, que exige tempo para o amadurecimento individual e do grupo; (5) busca pela sustentabilidade financeira; (6) compartilhamento de responsabilidades e (7) pouca integração com pesquisadores de outras áreas da oceanografia. Dentre as potencialidades da ReBentos destaca-se: (A) abordagem de adaptação às MCs, por meio do monitoramento e da avaliação das mudanças na biodiversidade bentônica; (B) aplicação dos protocolos de monitoramento também às espécies exóticas; (C) integração com as Unidades de Conservação para o monitoramento ambiental; (D) contribuição com os Planos Setoriais de Mitigação e Adaptação brasileiros; (E) formação de recursos humanos dedicados à questão das MCs; (F) conscientização e sensibilização da sociedade e dos tomadores de decisão sobre a importância da biodiversidade, dos serviços ecossistêmicos e do impacto das MCs no bem estar humano; (G) integração entre diferentes áreas das ciências do mar. Com isso, espera-se contribuir para uma ação colaborativa e sinérgica, necessária para a realização de estudos mais integrados, complexos e aprofundados visando a garantia da qualidade ambiental da costa brasileira.


Mesa 2 - dinâmica costeira, elevação do nível do mar e eventos extremos

 

 

Vulnerabilidade e impactos à elevação do nível do mar na borda leste do Nordeste do Brasil

 

Moacyr Araujo1,2,*, Daniele Mallmann2, Fabiana Leite1,2, Mirella Costa2, Patricia Pontes1,2, Patricia Souza2

 

1Laboratório de Oceanografia Física Estuarina e Costeira, Departamento de Oceanografia – LOFEC/DOCEAN, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

2Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental – CEERMA, Universidade Federal de Pernambuco – UFPE

 

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As regiões urbanas costeiras são as mais vulneráveis à elevação do nível do mar, com possibilidades reais de inundação em médio e longo prazo. Os recursos costeiros serão igualmente afetados, com alterações das características físicas, biológicas e morfológicas dos oceanos e costas, mudanças na sua estrutura ecológica, funções e provisão de bens e serviços. Ademais, são esperados: perda de terras, perda/ realocação de sítios culturais e históricos, perdas agrícolas, salinização da vegetação e de recursos aquáticos, erosão/progradação de praias, alteração dos estoques pesqueiros, danos à infra-estrutura portuária, urbana e turística e exposição/danificação de dutos expostos ou enterrados. Neste trabalho são apresentadas as análises de dois cenários de aumento do nível do mar na borda leste do NE do Brasil, utilizando como exemplo de estudo a Região Metropolitana do Recife central, formada pelos municípios de Jaboatão dos Guararapes, Recife, Olinda e Paulista. As projeções das alterações de forçantes geofísicas são analisadas, com horizonte para o final do século atual. Os resultados indicam que diante de um aumento do nível do mar da ordem de 0,5 m (Cenário 1), é esperado que pelo menos 39,32 km2 da área dos municípios analisados constituam áreas potencialmente inundadas. Num cenário mais crítico de elevação do nível do mar (1 m, Cenário 2), este valor aumentaria para 53,69 km2. Este estudo é uma contribuição do INCTAmbTropic – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Ambientes Marinhos Tropicais, CNPq/FAPESB 565054/2010-4 e 8936/2011.


Impactos da elevação do nível do mar em costas controladas por recifes

 

Eduardo Siegle

 

Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo - USP

 

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Grande parte da litoral do nordeste do Brasil é influenciada pela presença de recifes que definem a sua linha de costa. Os processos de transformação de ondas em função das áreas rasas dos recifes, resultam em áreas deposicionais na zona de sombra das estruturas. Com o objetivo de avaliar o nível de exposição da linha de costa à ação das ondas sob diferentes cenários de nível do mar, experimentos de modelagem numérica (aplicando o modelo numérico Delft3D) foram elaborados considerando um trecho de aproximadamente 450 km de linha de costa no nordeste do Brasil. Resultados mostram a distribuição da força de ondas ao longo da área de interesse, com valores mais altos em áreas sem a presença de recifes. No entanto, quando cenários de elevação do nível do mar são considerados, justamente atrás das linhas de recife é que são encontradas as maiores diferenças em força de onda. Enquanto o aumento do nível do mar de 0.5 m aumenta a força de onda em aproximadamente 10 % nas áreas expostas, áreas atrás de recifes apresentam aumentos de até 90 % na força de ondas, quando comparado com a situação atual. Como resultado, simulações indicam que o transporte de sedimentos nessas áreas é ampliado, resultando em expectativa de altas taxas de erosão e retração da linha de costa nos trechos controlados por recifes.


Sistemas sinóticos geradores de eventos extremos de velocidade do vento no sul do Brasil no período de 1948 a 2012: condições atmosféricas e as consequências na zona costeira

 

Arthur A. Machado1,* e Lauro J. Calliari1

 

1Laboratório de Oceanografia Geológica, Instituto de Oceanografia,

Universidade Federal do Rio Grande - FURG

 

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A costa sul e sudeste do Brasil é frequentemente afetada por perturbações meteorológicas, como frentes frias, que são por vezes associadas a intensos ciclones extratropicais. Sistemas sinóticos extratropicais constituem os padrões climáticos diários em médias e altas latitudes. Intensos ciclones extratropicais são frequentemente associados com condições meteorológicas extremas, especialmente com tempestades severas, e podem afetar a segurança das pessoas e à economia. Ciclones intensos e episódios associados a ventos fortes, ondas altas e forte precipitação são importantes na transmissão dos efeitos de baixa frequência da variabilidade climática para o meio ambiente e para a sociedade. A zona costeira do Rio Grande do Sul sofre uma variação sazonal devido à variação da frequência e intensidade de ciclones extratropicais, com um período de acresção nos meses de verão que vai de dezembro a março e as tempestades de abril praticamente iniciam o ciclo de erosão nas praias arenosas do Atlântico Sul. Para este trabalho foram utilizados os dados de vento (u e v) e pressão de reanalises do National Center for Atmospheric ResearchandNational Centers for Environmental Prediction (NCAR/NCEP) no período de 1948 a 2012 no ponto 32,5° S e 52,5° W. Dados de ventos da estação meteorológica da Praticagem da Barra de Rio Grande foram utilizados para verificação da qualidade dos dados de reanalises para o Rio Grande do Sul. O limiar de vento extremo foi de 17 m/s. Em 65 anos observou-se uma frequência anual de 1.38 eventos extremos de vento, com máximo de 4 eventos nos anos de 1998, 1999, 2000, 2008, 2010 e 2011. Os meses com maior número de eventos extremos foram Junho (21), outubro (16) e Maio (12). Houve um aumento no número de eventos extremos de velocidade do vento para o litoral do Rio Grande do Sul ao longo dos últimos 65 anos (1948-2012).

 

Este resumo é uma contribuição do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) para Mudanças Climáticas, financiado pelo projeto CNPq Processo 573797/2008-0, FAPESP Processo 2008/57719-9 e CAPES (Rede Interdisciplinar para a Análise de Riscos Costeiros a Eventos Atmosféricos Extremos devido às Mudanças Globais nas regiões Sul e Sudeste do Brasil).


Mesa 3 - A inserção da pesquisa brasileira no contexto da Acidificação dos Oceanos: identificando áreas sensíveis ao seu efeito e prioridades

 

 

Atividades do Grupo Brasileiro de Pesquisa em Acidificação dos Oceanos (Brazilian Ocean Acidification Research group - BrOA)

 

Grupo Brasileiro de Pesquisa em Acidificação dos Oceanos

 

homepage: www.broa.furg.br

 

O Grupo de Pesquisa Brasileiro em Acidificação dos Oceanos (BrOA) foi criado em dezembro de 2012, durante o Workshop "Studying Ocean Acidification and its effects on marine ecosystems", sendo organizado pelo programa internacional de geosfera-biosfera (IGBP), Universidade de São Paulo (USP), Conselho de Pesquisa e Desenvolvimento Científico do Brasil (CNPq) e Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O grupo será apresentado oficialmente a comunidade científica nacional no III workshop Brasileiro de Mudanças Climáticas em Zonas costeiras, através da participação de seus líderes e dos coordenadores de equipes principais. Durante o ano de 2013 o grupo atuou na identificação dos pesquisadores brasileiros para a formação de uma rede nacional de cooperação interdisciplinar em estudos de Acidificação dos Oceanos. A apresentação do grupo visa integrar os estudos da rede nacional de pesquisadores e contribuir com os programas internacionais em curso. O grupo atua em ambientes distintos ao longo da costa brasileira, desde ecossistemas costeiros e estuarinos até o regime oceânico de águas abertas. O Grupo é liderado pelo Prof. Dr. Rodrigo Kerr do IO/FURG e pela Profa. Dra. Letícia C. da Cunha da FO/UERJ, sendo composto por pesquisadores de 7 Instituições de Ensino Superior (FURG, UERJ, UFRJ, UFF, USP, UESC, UFPe) distribuídos em 12 laboratórios associados.


Papel da zona costeira brasileira nos fluxos de CO2 mar-atmosfera e possíveis efeitos da acidificação

 

Leticia Cotrim da Cunha

 

Faculdade de Oceanografia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro - UERJ

 

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Ainda há incertezas quanto ao papel de margens continentais nas trocas globais de CO2 mar-atmosfera, especialmente em áreas tropicais e subtropicais. Além disso, as medidas de fluxos de CO2 mar-atmosfera nestas áreas são bastante restritas, temporal e espacialmente. As análises mais recentes de fluxos globais de CO2 mostram que no oceano Atlântico sudoeste há um gradiente crescente sul-norte de fluxos de CO2 mar-atmosfera, e na região de 25°S-23°S ocorre a mudança de “sumidouro” para “fonte” de CO2 para a atmosfera (Takahashi et al. 2009). A estimativa global mais recente (Chen et al. (2013) é de que ecossistemas costeiros emitam ~ 0.1 PgC/ano. No entanto, a ausência de dados costeiros e a heterogeneidade espaço-temporal de dados nos respectivos estudos supracitados limitam o entendimento do real funcionamento de áreas costeiras. Sabe-se que o CO2 antropogênico altera o equilíbrio do sistema carbonato e diminui o pH de águas superficiais. No entanto, em ecossistemas costeiros, estas mudanças são menos claras devido a i) heterogeneidade de ecossistemas, ii) o sistema carbonato nessas áreas ser fortemente regulado por aportes fluviais e oceânicos, além dos processos biológicos locais e impactos antropogênicos, iii) variação natural do pH (escalas diária e sazonal), e iv) falta de séries temporais de longo prazo e inadequação da maioria dos modelos físico-biogeoquímicos para resolver processos inerentes a estas regiões. Existe claramente a necessidade de compreender de forma integral as interações entre o sistema carbonato marinho, o excesso de CO2 e os impactos gerados pela eutrofização nas regiões costeiras do Brasil e no resto do mundo.


PIRATA and INCT-AmbTropic: new CO2 observing network in the tropical Atlantic

 

Moacyr Araujo1,2,*, Nathalie Lefèvre3, Carlos Noriega1,2, Leonardo Bruto1,2and Rodolfo Araujo1,2

 

1Laboratório de Oceanografia Física Estuarina e Costeira, Departamento de Oceanografia – LOFEC/DOCEAN, Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

2Centro de Estudos e Ensaios em Risco e Modelagem Ambiental - CEERMA,

Universidade Federal de Pernambuco - UFPE

3Laboratoire D´Océanographie et du Clima: Expérimentation et Approches Numériques - LOCEAN, Université Pierre et Marie Curie - UPMC

 

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After the “pilot” (from 1997 to 2001) and “consolidation” phases (from 2002 to 2008), the Prediction Research moored Array in the Tropical Atlantic – PIRATA is considered nowadays the most important observational array in the tropical Atlantic. The original overarching goals of PIRATA are to improve the description of the variability in the atmospheric and oceanic boundary layers in the tropical Atlantic and to improve our understanding of the relative contributions of air–sea fluxes and ocean dynamics to variability in sea surface temperature (SST) and subsurface heat content at intraseasonal to interannual time scales. More recently biogeochemical and CO2 state variables have been systematically sampled in fixed PIRATA buoys and during Brazilian PIRATA cruises (PIRATA-BR).A second and important project in the tropical Atlantic is the INCT Tropical Marine Environments (INCT-AmbTropic), which is aimed at investigating the processes, dynamics and functioning of the coastal zone, the continental shelf and the oceanic waters off Brazil. The WG3.2 of the INCT-AmbTropic focuses on the ocean. Its main objective is to determine the variability of the biogeochemical properties of the tropical Atlantic, in particular those associated with uptake and outgassing of atmospheric CO2 and potential acidification of its water. In this study we present the CO2 observing networks implemented in the southwestern tropical Atlantic as part of the PIRATA and WG3.2 activities. It involves: (a) continuous pCO2/O2 measurements in the 6oS10oW and 8oN38oW PIRATA sites, as well as in the oceanic islands of St. Peter and St. Paul, Fernando de Noronha and of the RocasAtol, (b) underway fCO2 measurements and water sampling (pH/DIC/TA+biogeochemistry) during PIRATA-BR and INCT-AmbTropic cruises (oceanic islands and Amazon river plume); and (c) monthly/bimonthly water sampling (pH/DIC/TA) in different estuaries and cross-shelf transects along the North-Northeastern Brazilian coast, from the Amazon (equator) to the São Francisco river (10oS).


eSTADO DA ARTE DOS ESTUDOS BRASILEIROS SOBRE ACIDIFICAÇÃO NOS OCEANOS atlântico sudoeste e austral

 

Rosane G. Ito

 

Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande - FURG

 

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Estudos sobre o sistema de carbonato, com destaque aos ambientes costeiros, tornaram-se de grande interesse para a comunidade científica internacional. No contexto brasileiro, o Grupo Oceanografia de Altas Latitudes (GOAL; www.goal.furg.br), liderado pela Universidade Federal do Rio Grande (FURG), vem desenvolvendo pesquisas multidisciplinares, envolvendo várias instituições nacionais, com foco em estudos da física, química, bio-ótica e biologia dos oceanos. Nestes estudos, a variabilidade espacial e temporal dos fluxos líquidos do CO2 (FCO2) foram investigados na Península Antártica (verões de 2008 a 2010), na região de quebra da plataforma continental da Patagônia Argentina (2007 a 2009) e na margem continental do Atlântico subtropical brasileiro (primavera de 2010 e verão 2011). Apesar da alta variabilidade na distribuição FCO2, devido às complexas interações entre processos biogeoquímicos e físicos dessas regiões, esses estudos indicam que o carbono antropogênico está presente na interface ar-mar, necessitando, contudo, de programas observacionais mais abrangentes, com enfoque na absorção de carbono antropogênico atmosférico, e a consequente acidificação costeira advinda dessa absorção. Dessa forma, estudos da variação temporal e espacial das margens continentais dos oceanos Atlântico sudoeste e Austral, com respeito à acidificação, são hoje imperativos e, portanto, estão contemplados nas propostas de continuidade das pesquisas a serem desenvolvidas nessas regiões.


Tendências nas investigacões dos impactos da acidificação no crescimento de corais e de algas coralináceas

 

Ruy K. P. Kikuchi*, Marília D. M. Oliveira, Zelinda M. A. N. Leão

 

Laboratório de Estudos de Recifes de Corais e Mudanças Globais - RECOR, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia - UFBA

 

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O problema da acidificação começou a ocupar a comunidade científica na década de 1990 e atualmente é um dos principais fenômenos atribuídos às MCG na preocupação da comunidade científica especializada nos estudos dos recifes de corais e dos bancos de algas calcárias. A abordagem desses trabalhos passou gradualmente da escala ecossistêmica generalista, para estudos cada vez mais focados em processos controladores do sistema carbonático e da fisiologia dos organismos. Nesse período, o número de trabalhos dedicados ao tema aumentou exponencialmente. Em 2009 foram publicados cerca de 25 trabalhos e em 2013, mais de 100 artigos. Os artigos versam desde a construção de modelos ecossistêmicos em que se estima a mudança na calcificação desses sistemas, a experimentos de perturbação utilizando-se CO2 ou soluções ácidas. Os experimentos alcançam diferentes escalas, desde estudos de respostas fisiológicas individuais de diferentes espécies dos organismos em recipientes de pequeno volume (reatores de cerca de 1L), dos organismos em mesocosmos, até manipulações in situ. No caso dos ensaios em reatores, utilizam-se tanto água do mar como com água salina sintética. No primeiro caso, os experimentos são espacial e sazonalmente dependentes, visto que a composição da água é determinada em grande medida pela variabilidade natural do local de captação. No segundo caso, o controle da composição da água é maior, mas há menor correspondência com a realidade dos sítios naturais. Em ambas situações os resultados observados devem ser considerados com grande cautela quando se pretende realizar generalizações e previsões. A despeito das respostas mais robustas nas manipulações in situ, são muito mais raras devido às dificuldades tecnológicas envolvidas. A existência de locais em que existam tendência de variação espacial no pH da água do mar são experimentos naturais do que se espera com o aumento projetado do pH da água do mar. Os corais foram alvos de mais de 75% dos trabalhos publicados. Para o Oceano Atlântico Sul Ocidental será necessário dedicar um esforço importante de estudos das algas calcárias, especialmente as coralináceas, devido à importância de sua construção dos recifes e à sua extensa distribuição na plataforma continental da América do Sul. Trabalhos dedicados ao monitoramento do sistema do CO2 na água onde se desenvolvem os ecossistemas carbonáticos devem figurar entre as prioridades de pesquisa pois disso depende a compreensão do comportamento sazonal e da variabilidade regional que pode afetar ou ser a base do potencial de aclimatização dos corais e das algas coralináceas.


MESA 4 – Rede de monitamento dos habitats Bentonicos

 

 

PRAIAS ARENOSAS: A FAUNA BENTÔNICA COMO INDICADOR DA INFLUÊNCIA DE PROCESSOS HIDRODINÂMICOS E MORFOLÓGICOS EM EVENTOS DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS

 

Antonia C. Z. Amaral1*; Guilherme N.Corte1,2; Márcia R. Denadai3; José S. R. Filho4; Valeria Veloso§; Carlos A. Borzone5; Leonardo C. da Rosa6; Ilana R. Zalmon7; Phillipe M. Machado7; Kalina M. Brauko5; Leonir A. Colling8; Tatiana F. Maria9, André M. Esteves4, Alexander Turra3

 

1Departamento de Biologia Animal, IB/UNICAMP; 2Programa de Pós-Graduação em Ecologia, IB/UNICAMP; 3Departamento de Oceanografia Biológica, IO/USP; 4Departamento de Oceanografia, UFPE; 5Centro de Estudos do Mar, UFPR; 6Núcleo de Engenharia de Pesca, CCBS/UFS; 7Laboratório de Ciências Ambientais, CBB/UENF; 8Instituto de Oceanografia, FURG; 9Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO

 

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§ in Memorian

 

Por serem ambientes dinâmicos e fisicamente controlados, as praias estão entre os ecossistemas mais vulneráveis aos eventuais efeitos de mudanças climáticas, como aumentos do nível do mar, alteração da amplitude de marés, aumento na frequência e magnitude de eventos extremos, alterações de direção e intensidade das ondas, aumento das taxas de erosão costeira, elevação da temperatura do mar, acidificação dos oceanos e modificações na distribuição das chuvas e na descarga sólida (sedimento) de rios. Previsões recentes sugerem que essas mudanças podem causar uma ampla gama de impactos no ecossistema praial, desde alterações na morfodinâmica (modificações na composição do sedimento, inclinação e área disponível para ocupação pelos organismos) em condições mais amenas e/ou preliminares, até a perda da região entremarés e do pós-praia (e consequentemente da sua biota associada) em condições extremas. Para que os reais impactos dessas mudanças possam ser detectados e que estratégias de manejo possam ser implementadas, faz-se necessária uma análise prolongada da fauna de praias e de variáveis como temperatura, precipitação, salinidade, pH, perfil praial e características das ondas e do sedimento. Nesse contexto, este trabalho tem como objetivo apresentar propostas de métodos para o monitoramento contínuo de características ambientais e da macro- e meiofauna de praias da costa brasileira. Para isto, foram produzidos protocolos para o monitoramento da estrutura das comunidades de macro- e meiofauna e para a avaliação da dinâmica populacional de Scolelepis, Talitridae, Ocypode quadratae Bledius que, por terem ampla distribuição e reconhecida sensibilidade às mudanças ambientais, podem ser utilizadas como bioindicadores. Dado que esta é uma proposta de monitoramento de longo prazo, os métodos apresentados visam sempre presteza, simplicidade dos procedimentos e baixo custo monetário, além de parâmetros físico-químicos comuns aos seis protocolos, favorecendo sua ampla aplicação por diferentes grupos de pesquisa ao longo da costa brasileira.

 

Apoio: CNPq, FAPESP, FAPERJ, CNPq - SISBIOTA BRASIL.


Protocolos de coleta de Costões Rochosos: teste de hipóteses e monitoramento de longo prazo

 

Ricardo Coutinho1,*, Maria T. M. Széchy2, María S. López3, Ronaldo A. Christofoletti4, Flávio Berchez5, Luciana E. Yaginuma1, Rosana M. da Rocha6, Fernanda N. Siviero1, Natalia P. Ghilardi-Lopes7, Carlos E. L. Ferreira8, José E. A. Gonçalves1, Bruno P. Masi1, Monica D. Correia9, Hilda H. Sovierzoski9, Luis F. Skinner10, Ilana R. Zalmon11

 

1Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira; 2Universidade Federal do Rio de Janeiro; 3CEBIMar, Universidade de São Paulo; 4IMar, Universidade Federal de São Paulo

5Universidade de São Paulo (USP); 6Universidade Federal do Paraná (UFPR); 7Universidade Federal do ABC (UFABC); 8Universidade Federal Fluminense; 9Universidade Federal de Alagoas ;10Universidade do Estado do Rio de Janeiro; 11Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro

 

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Para prever respostas ecológicas e de biodiversidade a mudanças climáticas é essencial integrar processos biológicos e ecológicos com dados climáticos, que contribuirão para o entendimento de padrões biogeográficos de estresse e riscos de mortalidade, associado ao funcionamento de ecossistemas em costões e praias. Os substratos consolidados e inconsolidados do entremarés são ambientes dinâmicos que respondem a perturbações cíclicas, mas também a eventos estocásticos associados a eventos extremos. Praias rochosas com diferentes graus de exposição às ondas na costa brasileira serão amostradas em dois períodos anuais com triplicatas em cada período. Amostragens associadas a eventos extremos como ressacas, frentes frias e tempestades serão realizadas na semana anterior e na posterior ao evento, de modo aacompanhar nos diferentes períodos anuais o comportamento estrutural das comunidades bênticas em função da resistência dos organismos dominantes a tais eventos. O protocolo de amostragem inclui fotografias do entremarés rochoso em transectos verticais, com mudanças na posição e largura das faixas em relação a um ponto fixo como variáveis de resposta. Fatores ambientais medidos in situ e/ou plotados com base em outras fontes incluem temperatura do ar, água, costão/organismo (sensores ibutton), pluviosidade e dados de ventos extremos, grau de exposição às ondas: altura, direção e periodicidade, irradiância, salinidade, pH e turbidez da água. Assim, obteremos indicadores da desregulação funcional em nível de organismo e de comunidade em resposta a potenciais efeitos de mudanças climáticas. Este protocolo visa estabelecer possíveis hipóteses e metodologias básicas a serem adotadas pelo grupo de trabalho de costões dentro dos objetivos da ReBentos, definindo um protocolo de amostragem para o monitoramento contínuo e permanente dos ecossistemas rochosos na costa brasileira, de forma a gerar e disseminar conhecimentos para responder aos desafios representados pelas causas e efeitos das mudanças climáticas globais.


PROTOCOLO MÍNIMO PARA MONITORAMENTO DOS RECIFES E ECOSSISTEMAS CORALINOS DO BRASIL EXPOSTOS ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

 

Zelinda M. A. N. Leão6,*, Augusto Minervino-Neto6, Beatrice P. Ferreira4, Caroline V. Feitosa1, Claudio L. S. Sampaio5, Cristiane F. Costa-Sassi3, Elizabeth G. Neves6, Fúlvio A. M. Freire2, George-Olavo M. Silva7, Gil M. R. Strenzel8, Hilda H. Sovierzoski5, Jorge E. L. Oliveira2, Liana F. Mendes2, Marcelo O. Soares1, Maria-Elisabeth Araujo4, Marília D. M. Oliveira6, Mauro Maida4, Monica D. Correia5, Ricardo S. Rosa3, Roberto Sassi3, Rodrigo Johnsson6, Ronaldo B. Francini-Filho3,Ruy K. P. Kikichi6, Tatiana S. Leite2

 

1Universidade Federal do Ceará; 2Universidade Federal do Rio Grande do Norte; 3Universidade Federal da Paraíba; 4Univerrsidade Federal de Pernambuco; 5Universidade Federal de Alagoas; 6Universidade Federal da Bahia; 7Universidade Estadual de Feira de Santana; 8Universidade Estadual de Santa Cruz

 

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O objetivo do protocolo é a avaliação da vulnerabilidade, resistência e resiliência dos recifes e dos ecossistemas coralinos do Brasil, frente aos impactos antrópicos e às mudanças climáticas eminentes, além de gerar informações sobre a integridade e conectividade demográfica entre os recifes, informações cruciais para a adoção de ferramentas efetivas de manejo e conservação. Comparando as variações espaço-temporais observadas nos ecossistemas recifais da plataforma continental e das ilhas oceânicas, pretende-se determinar e entender a capacidade desses ecossistemas de suportar e de se recuperar de distúrbios com diferentes graus de intensidade, considerando a heterogeneidade espacial caracterizada pelas diferenças morfológicas, estruturais e composicionais dos recifes, assim como o estado da “saúde” dos sistemas protegidos e daqueles mais expostos às ameaças. O Protocolo utilizará, como indicadores para a avaliação das condições dos recifes, os corais e os peixes recifais, considerando para os corais: riqueza e diversidade, superfície relativa do recife recoberta por corais vivos, percentual de colônias branqueadas, afetadas por doenças, apresentando mortalidade recente e/ou antiga e a densidade de recrutas. Para os peixes: densidade, riqueza e diversidade por família e por grupo (herbívoros, carnívoros e onívoros) e medidas do tamanho. Serão consideradas, também, a cobertura relativa dos grupos funcionais de algas (macro, coralinas, filamentosas), esponjas, zoantídeos, ouriços e outros organismos considerados importantes para o recife investigado. Serão avaliados os recifes adjacentes à linha de costa, os recifes rasos (localizados em profundidades inferiores a 10 m) e os recifes com profundidades superiores a 10 m, das seguintes regiões geográficas: Nordeste Ocidental - os recifes do Piauí, Ceará e costa norte do Rio Grande do Norte; Nordeste Oriental – os recifes da costa oriental do Rio Grande do Norte, da Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe; Região Leste - os recifes da Bahia e a Região das ilhas oceânicas: Atol das Rocas, Fernando de Noronha e São Pedro e São Paulo.


Protocolo nacional para caracterização e monitoramento de Bancos de Rodolitos

 

Paulo Horta1,*, Flávio Berchez2, José Marcos de Castro Nunes3, Fernando Scherner1, Sonia Pereira4, Pablo Riul1, Tito Lotufo5, Letícia Peres1, Marina Sissini1, João Rosa1, Vanessa Freire1, Leidson Allan de Lucena1, Vanessa Borges1, Andre Rovai1, Leonardo Rorig1, Alessandra Fonseca1, Paulo Pagliosa1, José Bonomi Barufi1, Jason Hall-Spencer6, Rafael Riosmena7, João Silva8, Marcia Figueiredo9

 

1Universidade Federal de Santa Catarina;2Instituto de Biociências, Universidade de São Paulo; 3Departamento de Botânica, Universidade Federal da Bahia; 4Universidade Federal do Ceará, Fortaleza; 5Universidade Federal Rural de Pernambuco, 6PlymouthUniversity, Plymouth- Reino Unido; 7Departamento de Biologia Marina, Universidad Autónoma de Baja CaliforniaSur, La Paz, México; 8FaroUniversity, Algarve – Portugal; 9Jardim Botânica do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro - RJ

 

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Os bancos de rodolitos se estendem por praticamente toda a margem interna da plataforma continental Brasileira. Estes sistemas, compostos por camadas de rodolitos ou nódulos de algas calcárias não articuladas (Corallinophycidae, Rhodophyta) e seus componentes, também conhecidos como granulados bioclásticos, representam uma extraordinária biofábrica de carbonatos no Atlântico Sul Tropical. O ambiente resultante de seu desenvolvimento representa substrato, abrigo e indiretamente alimento para uma extraordinária diversidade biológica, formando oásis de diversidade em meio a paisagens monótonas do fundo arenoso da plataforma continental. O aquecimento e a acidificação dos oceanos em conjunto com os impactos derivados do aumento da frequência e intensidade das tempestades representam os principais estressores relacionados às ditas Mudanças Climáticas Globais para estas formações. O presente protocolo estrutura pela Rebentos, pretende fornecer as bases para uma caracterização padronizada que nos permita avaliar eventuais impactos das mudanças no clima sobre a composição, funcionamento e estrutura dos bancos de rodolitos e comunidades associadas. Serão selecionadas áreas preferencialmente a 10 metros de profundidades. Estes bancos teriam pelo menos um de seus limites demarcados e subáreas amostrais pré-definidas. Em cada sub-area além da análise qualitativa e de fotoquadrados serão amostrados corers para uma caracterização da biomassa e volume dos rodolitos e biota associada. A partir destas amostras serão também avaliados o teor de carbonato de cálcio presente nas principais espécies. Os grupos envolvidos neste processo de monitoramento deverão realizar coleta de dados das variáveis ambientais que caracterizem os respectivos períodos em suas localidades. Estes dados serão salvos em uma plataforma comum e poderão ser q qualquer momentos consultados por participantes da rede. São ainda propostos procedimentos complementares para que sejam implantados em instituições que tenha a necessária infraestrurtua. As mudanças previstas para o litoral Brasileiro devem alterar a estrutura e funcionamento dos bancos de rodolitos reforçando a demanda por monitoramento.

 

Agradecimento: Rebentos, INCT-MCs, CNPq, CAPES, Sisbiota


Benthic communities in estuaries: knowledge gap, vulnerability to climate change and a priority for long-term monitoring

 

Angelo F. Bernardino1,*; Camila B. Stofel1; Sérgio Netto2; Francisco Barros3; Ronaldo A. Christofoletti4; Leonir A. Colling5; Paulo C. Lana6; José S. R. Filho7; Paulo R. Pagliosa8; Rafaela C. Maia9; Tânia M. Costa10; Alexander Turra11

 

1Laboratório de Ecologia Bêntica, Departamento de Oceanografia, CCHN, Universidade Federal do Espírito Santo; 2Laboratório de Ciências Marinhas, Universidade do Sul de Santa Catarina; 3Laboratório de Ecologia Bentônica, Instituto de Biologia, Universidade Federal da Bahia; 4Instituto do Mar, Universidade Federal de São Paulo

5Instituto de Oceanografia, Fundação Universidade Federal do Rio Grande; 6Centro de Estudos do Mar, Universidade Federal do Paraná; 7Laboratório de Bentos, Departamento de Oceanografia, Universidade Federal de Pernambuco; 8Departamento de Geociências, Universidade Federal de Santa Catarina; 9Laboratório de Ecologia de Manguezais, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará, Campus Acaraú; 10Universidade Estadual Paulista, Campus São Vicente; 11Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo

 

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Estuaries are threatened aquatic ecosystems that support relevant ecological functions in coastal areas globally. The increase of global temperature and the risks of global climate change effects on these strategic ecosystems demand the urgent establishment of scientific programs to understand and anticipate further damage on estuarine habitats. In this study we reviewed the benthic ecology scientific literature in Brazilian estuaries, compared to a 40-year historical climatology data from areas nearby ten estuaries and made theoretical predictions on the main threats that these communities may face due to changes in temperature, rainfall and sealevel rise. We found a significant gap in the study of most estuarine areas in Brazil that prevents reasonable understanding of the natural status of extensive wetland areas. There were high variability in observed climate patterns in the regions studied and some level of uncertainty on the expected effects that these transitional systems may experience. However, higher temperatures, changed patterns of rainfall and sealevel rise associated with past and current human impacts may significantly alter biological and ecological functions of benthic communities in most estuarine habitats across Brazil.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Fundos submersos vegetados: Protocolo Mínimo de Monitoramento “antes que Desapareçam”

 

Margareth S. Copertino1,*, Joel C. Creed2, Karine M. Magalhães3, Kcrishna V. S. Barros3, Priscilla R. Arévalo1, Marianna O. Lanari1, Paulo A. Horta4

 

1Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande – FURG

2Departamento de Ecologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro – UERJ,

3Universidade Federal Rural de Pernambuco

4Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina

 

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Fundos submersos vegetados, formados por espermatófitas marinhas<![if !supportFootnotes]>[1]<![endif]> e biota associada, ocupam substratos arenosos/areno-lodosos de costas tropicais e temperadas, sendo mais abundantes em águas rasas, claras, com dinâmicas hidrológica e sedimentar moderadas. Estes habitats aumentam a biodiversidade, promovem proteção da costa, melhoram a qualidade da água, reciclam dos nutrientes, sustentam pescarias e são importantes no balanço e seqüestro de carbono atmosférico. Pradarias têm sido afetadas por impactos antropogênicos diversos, particularmente em regiões estuarinas e baías, sendo ainda vulneráveis quase todos os efeitos das mudanças climáticas globais na costa (elevação da temperatura, mudanças na descarga fluvial, eventos extremos, aumento do nível do mar e acidificação dos oceanos). Em costas temperadas, 30% da área das pradarias desapareceram nos últimos 50 anos. Com taxas de perdas de cerca de 2 a 5% ao ano, pradarias marinhas encontram-se dentre os habitats mais ameaçados do mundo, colocando em risco os todos os seus serviços ecossistêmicos, a sobrevivência de populações tradicionais e espécies que já se encontram em extinção (tartaruga-verde, peixe-boi). No Brasil, a área ocupada pelas pradarias marinhas e o seu status de conservação são desconhecidos. As informações científicas são insuficientes para construir prognósticos e cenários futuros, assim como para planejar ações de conservação. Um dos objetivos do GT Fundos Submersos Vegetados da ReBentos é monitorar as pradarias marinhas do Brasil, de modo sistemático, contínuo e por tempo indeterminado. Para ser viável e replicável ao longo da costa, e ao mesmo tempo alcançar projeção internacional, o protocolo mínimo é simples, de baixo custo e baseado no programa internacional SeagrassNet. Os parâmetros biológicos monitorados em cada local são: extensão do banco vegetado, espécies dominantes, parâmetros demográficos da flora e fauna, abundância relativa (% cobertura) e absoluta (biomassa, densidade) de plantas/macroalgas, além de parâmetros abióticos da água (profundidade, temperatura, salinidade, irradiância e transparência) e do sedimento (granulometria, matéria orgânica). Estes indicadores são obtidos sazonalmente, ao longo de transversais georeferenciadas, em pradarias pristinas e antropizadas. Em médio e longo prazo, o projeto visa detectar mudanças na biodiversidade e na estrutura das comunidades, identificando os fatores físicos e biológicos envolvidos. Adicionalmente, um banco de dados geoespaciais está sendo elaborado, visando estudos de larga escala, como modelos descritivos e preditivos de distribuição de espécies, em face aos impactos das mudanças climáticas globais.


MUDANÇAS CLIMÁTICAS E ZONAS COSTEIRAS: ECOSSISTEMAS MANGUEZAL E MARISMA FRENTE ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

 

Yara Schaeffer-Novelli1,9,*, Eduardo J.Soriano-Sierra2,3, Elaine Bernini3, Marcelo A. A.Pinheiro4, André S.Rovai2,3, Claudia C. do Vale6, Renato de Almeida7, Clemente Coelho-Jr8, Sarah Charlier-Sarubo1,9,10, Marília Cunha-Lignon9,11

 

1Universidade de São Paulo - USP;; 2Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC; 3Núcleode Estudos do Mar – NEMAR/UFSC; 4Universidade Federal da Paraíba - UFPB; 5Universidade Estadual Paulista – UNESP/CLP

6Universidade Federal do Espírito Santo, 7Universidade Federal do Recôncavo da Bahia – UFR; 8Universidade de Pernambuco – UPE; 9Instituto Bioma Brasil; 10Fundação Boticário de Proteção à Natureza; 11Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP

 

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Manguezais e marismas são sensíveis às mudanças climáticas (MCs) e a possibilidade de acomodação às novas condições é resultado do conjunto das adaptações fisiológicas das espécies vegetais típicas de ambos os ecossistemas. Conhecer as respostas desses ecossistemas aos fatores ambientais locais, nas diversas áreas onde se desenvolvem, torna-se vital para entender seus comportamentos e garantir a conservação dos mesmos diante das mudanças climáticas. Entre os fatores relacionados às MCs a serem avaliados, temos: aumento do nível médio relativo do mar – NMRM; alterações do nível do substrato; alterações dos regimes de chuva, umidade, temperatura do ar/água e maior disponibilidade de CO2 na atmosfera. As respostas de manguezais e marismas a esses fatores incluem: alteração na dinâmica sedimentar (processos erosivos e/ou deposicionais); alteração na frequência de inundação da faixa do entremarés; prolongamento dos períodos de estiagem em latitudes mais baixas, e aumento na pluviosidade e recorrência de eventos extremos em latitudes mais elevadas; alterações da produtividade primária e da biodiversidade; e, ajustes dos parâmetros populacionais (p. ex., densidade e estrutura) das populações do caranguejo-uçá (Ucidescordatus). Os protocolos sobre procedimentos mínimos adequados ao monitoramento dos ecossistemas manguezal e marisma preconizam metodologia consolidada mundialmente e as estratégias de abordagem atendem às linhas de pesquisa mais atuais. No tocante às demandas por informações ambientais nas áreas de física, química e geologia, sem dúvida temos grande interesse em contracenar com especialistas desses ramos da oceanografia, em todos os quesitos envolvidos nas etapas de monitoramento. A qualidade dos registros das variáveis abióticas associadas às MCs será determinante para as análises das respostas apresentadas pelos ecossistemas manguezal e marisma no período dos respectivos monitoramentos em questão. Sem dúvida, há necessidade de efetiva troca de informações entre os grupos de pesquisa integrantes da Sub-Rede Zonas Costeiras.


5-Modelagem do Sistema Climático e Zona Costeira

 

 

 

Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre – BESM

 

Paulo Nobre

 

INPE/CPTEC

 

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Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre – BESM e seus modelos componentes (oceano-criosfera-atmosfera-superfície-biosfera-química) tem por fim estudar, detectar e projetar as mudanças climáticas em escalas global e regional decorrentes de ações antrópicas e naturais. O desenvolvimento do modelo é baseado num esforço multi-institucional e interdisciplinar de modelagem do sistema climático global coordenado pelo INPE com participação de Universidades e Centros de Pesquisa nacionais, Redes Estaduais de Pesquisa e colaboração internacional. Tal desenvolvimento conta com os recursos de supercomputação de última geração da Rede CLIMA e é responsável por disponibilizar e facilitar o uso de modelos climáticos e seus componentes para a comunidade científica nacional. A primeira versão do BESM, baseada no acoplamento do modelo atmosférico global do CPTEC ao modelo oceânico global do GFDL (MOM4p1), foi utilizada para gerar cenários de mudanças climáticas globais para o período 1960-2100 para o programa CMIP5, contribuição pioneira do Brasil para o Relatório de Atividades (AR5) do IPCC.Os cenários gerados pelo BESM estão sendo utilizados como condições de contorno para ‘downscaling’ de vários modelos regionais e estudos de impactos das Mudança Climática no Brasil.No contexto desta mesa redonda, o BESM servirá como modelo global integrador dos esforços de modelagem hidrológica continental, modelagem hidrodinâmica estuarina e modelagem oceânica para o estudo dos impactos das variações do ciclo hidrológico global nos processo biogeoquímicos marinhos e climáticos em escala global.


Hidrologia na Modelagem do Sistema Climático Terrestre

 

Luz A. Cuartas1,*, Aline A. de Castro1, Darcy Jiménez1, Carina Rodrigues1, Michael Coe2, Gilvan Sampaio1, Marcos Costa3

 

1Centro de Ciência do Sistema Terrestre/CCST, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais/INPE

2The Woods HoleResearch Center

3Universidade Federal de Viçosa

 

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A água continental tem papel fundamental na dinâmica do sistema climático terrestre. Os processos hidrológicos na superfície exercem uma marcada influência sobre o clima;existe um forte controle sobre a evapotranspiração devido à umidade do solo, já que esta última influencia na partição dos fluxos de energia na superfície (Entekhabi et al., 1996). Os modelos climáticos procuraram incluir uma melhor representação dos processos hidrológicos através do uso dos modelos de interação solo-vegetação-atmosfera (SVATs). A maioria dos SVAT simula bem a troca de fluxos de água e energia na vertical, mas muitos não simulam os processos hidrológicos no solo em nível de bacia, principalmente negligenciando o transporte lateral de água (escoamento superficial e sub-superficial), seu efeito no lençol freático, e o escoamento é admitido ser perdido para o oceano imediatamente. Neste contexto, esta sendo desenvolvido o modelo de superfície INLAND, cujo ponto de partida foi o modelo IBIS (Foleyet al., 1996). Este modelo inclui uma representação dos processos físicos da superfície terrestre, como a fisiologia do dossel, a fenologia e dinâmica da vegetação e os balanços de água, energia e carbono terrestre, porém só considera fluxos na vertical. Para incluir a propagação da água foi acoplado o modelo THMB (Coe, M.T., 2000; Coe et al., 2007). Os rios, lagos, áreas úmidas e planícies aluviais são definidas como uma rede hidrológica continua na qual a água é transportada para bacias interiores (lagos), para o oceano ou é evaporada dos corpos d’água. Foram feitas simulações para América do Sul, porém com resultados preliminares para algumas bacias. As simulações para a bacia Amazônica mostraram uma subestimação da vazão, mas conseguiram simular bem a variabilidade interanual, com resultados significativos (p<0,05) para 75% das vazões observadas. Este resultado inicial pode ser devido à inclusão da evaporação dos corpos d’água, porém ainda encontra-se em fase de calibração.


Modelagem de processos físicos costeiros

 

Eduardo Siegle

 

Instituto Oceanográfico, Universidade de São Paulo - USP

 

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A compreensão dos processos físicos que controlam a hidrodinâmica e morfodinâmica de ambientes costeiros rasos é fundamental para o seu manejo e para o entendimento de sua influência sobre as áreas oceânicas adjacentes. Nesse sentido, esforços nas últimas décadas tem focado a modelagem numérica desses sistemas, permitindo o melhor conhecimento dos processos atuantes, e de sua importância relativa no controle desses ambientes. Modelos numéricos permitem essa abordagem nas diferentes escalas espaço-temporais. Serão apresentados conceitos básicos da modelagem numérica de processos costeiros, tipos de modelos, e exemplos de sua aplicação.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Correntes submaregráficas em uma região de macromarédo Nordeste Brasileiro: O caso da Baía de São Marcos (MA)

 

Dias, F.J.S1,*; Leal de Castro, A.C1; Azevedo, J.W.J1; Monteiro Neto, O.G1; Marins, R. V.; Lacerda, L.D2.

 

1Laboratório de Hidrodinâmica Costeira, Estuarina e Águas Interiores, Departamento de Oceanografia e Limnologia, Universidade Federal do Maranhão;

2Laboratório de Biogeoquímica Costeira do Instituto de Ciências do Mar, Universidade Federal do Ceará

 

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A Baía de São Marcos está inserida no Golfão Maranhense, localizada no extremo norte do Maranhão. Inserida em uma região de clima tropical úmido, tem como características principais o grande volume fluvial associado a elevadas concentrações de materiais em suspensão e uma variação da altura da maré que pode chegar a 7 m. O objetivo deste trabalho foi caracterizar a variação espacial do campo de correntes submarégrafica na Baía de São Marcos, durante evento de maré de sizígia. Os dados de intensidade e direção das correntes foram obtidos com auxílio de medidor acústico de correntes por efeito doppler (ADCP), com frequência de 0.5 MHz. O vetor velocidade foi decomposto, em relação ao plano de coordenadas cartesianas ortogonal Oxy, para. O campo de correntes foi homogêneo na superfície, com as menores intensidades ocorrendo em Bacabeira (2,15 m s-1) e as maiores na região do Porto Grande (2,48 m s-1). Em meia água, a intensidade das correntes decaiu, variando de 2,07 m s-1, em Bacabeira, a 2,30 m s-1 na região do Porto de Itaqui, com exceção da radial localizada ao lado da Ilha dos Caranguejos que apresentou correntes de até 4,30 m s-1. Junto ao fundo, a condição de não escorregamento foi mantida. As menores intensidades (1,75 m s-1) foram observados nas proximidades da ponta da Ilha dos Caranguejos, enquanto que os valores máximos (2,20 m s-1) ocorreram na região do Porto de Itaqui. Dinamicamente, o padrão de circulação gerou correntes fluindo para SW entre o Porto de Itaqui e a Ilha dos Caranguejos, enquanto que ao sul da Ilha dos Caranguejos a direção preferencial foi para SE. O decaimento das velocidades da superfície ao fundo é devido à condição de contorno de não escorregamento, sugerindo para a região a presença de zonas preferenciais para deposição de materiais e substâncias.


SIMULAÇÕES SOBRE A RESPOSTA DOS GRANDES ECOSSISTEMAS MARINHOS À VARIABILIDADE CLIMÁTICA INTERANUAL USANDO MODELAGEM BIOGEOQUÍMICA

 

Helena Cachanhuk Soares1,*, Douglas Francisco Marcolino Gherardi1, Luciano Ponzi Pezzi1,Mary Toshie Kayano2 e Eduardo Tavares Paes3

 

1Divisão de Sensoriamento Remoto - Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Brazil.

2Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC) – INPE; 3Instituto Socioambiental e dos Recursos Hídricos (ISARH), Universidade Federal Rural da Amazônia, Brazil

 

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O impacto dos modos climáticos locais e remotos nos Grandes Ecossistemas Marinhos (GEMs) do Brasil e da costa oeste Africana são investigados. O modo El Niño Oscilação Sul (ENOS, Niño3) e a Oscilação Decenal do Pacífico (ODP) são considerados forçantes remotas do oceano Atlântico Sul. O modo tropical do Atlântico Sul (TSA) e a Oscilação Antártica (AAO) são os modos locais. A investigação tem como base a análise de correlação total e parcial entre os índices climáticos que representam estes modos e as anomalias de temperatura da superfície do mar (ATSM), tensão do vento à superfície do mar, transporte de Ekman, radiação de onda longa emergente e pressão ao nível médio do mar (APNM) no oceano Atlântico Sul. Todas as variáveis foram filtradas por meio de um filtro com base na ondaleta de Morlet para manter apenas a variabilidade interanual (2-7 anos) e também foi removida a tendência linear dos dados de TSM. Descobrimos que o TSA reduz a influência do fenômeno ENOS sobre as ATSM durante o período quente da ODP (1977-2008) nos GEMs brasileiros do Norte e Leste e no GEM da corrente da Guiné. O TSA também intensifica as correlações entre AAO e ATSM no Atlântico tropical. Correlações negativas entre AAO e ATSM foram encontradas no GEM do Sul do Brasil, esse padrão é persistente mesmo com a remoção dos outros índices (correlações parciais). Em relação às ATSM, anomalias de tensão do vento à superfície do mar e APNM é notável que os impactos da mudança de regime da ODP parecem ser mais intensos ao longo da costa oeste africana do que ao longo da costa brasileira. A evolução do regime frio para o quente da ODP foi acompanhada por uma elevação da complexidade espacial das condições ambientais ao longo dos GEMs da costa oeste Africana. Os impactos da variabilidade climática na produtividade dos GEMs serão investigados utilizando o modelo biogeoquímico Fennel, que é um componente do modelo Regional OceanModel System (ROMS). O modelo biogeoquímico irá simular os impactos dos extremos dos índices climáticos na produtividade dos GEMs. Os resultados até agora mostram que as ações de gestão com base nos ecossistemas sob efeitos de variabilidade climática precisam considerar a elevada complexidade das interações na escala da bacia entre as forçantes climáticas locais e remotas.


 

6- Qual o Futuro da sub-rede Zonas Costeiras?

 

 

 

Oportunidades de Interação INCT´s-MAR e INCT MC- Zonas Costeiras na avaliação dos impactos das mudanças climáticas no litoral brasileiro

 

 

José M. L. Dominguez* e Ruy K. P. Kikuchi

 

INCTAmbTropic, Universidade Federal da Bahia

 

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As mudanças climáticas constituem a narrativa dominante deste século e a zona costeira, onde se concentra a maior parte da população mundial,é o local onde o impacto destas mudanças se fará sentir com maior força. Todos os incts - MAR, até mesmo por força dos termos de referencia do edital lançado pelo CNPq, incorporam as mudanças climáticas e a zona costeira, nos seus objetivos. Surge assim uma excelente oportunidade de interação entre os incts -MAR distribuídos ao longo do litoral brasileiro, e o inct MC-Zonas Costeiras - Rede Clima, de atuar de forma consorciada na avaliação do impacto destas mudanças climáticas no litoral brasileiro. Esta não é uma tarefa fácil considerando as dificuldades inerentes ao próprio trabalho em rede, assim como a necessidade de aporte de recursos financeiros adicionais, para promover as reuniões de trabalho, o ajuste de uma agenda comum e a uniformização de metodologias e abordagens. Apesar de tudo é uma excelente oportunidade que se abre de interação entre as redes de pesquisa existentes, que poderá resultar em uma forte contribuição para a integração em caráter nacional das ciências do mar, e na redução das disparidades regionais de pesquisa e capacitação nesta área temática.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumos

 

APRESENTAÇÕES ORAIS


O EFEITO DO ENOS NO ATLÂNTICO TROPICAL E SUL COM CONSEQUÊNCIAS PARA O CLIMA DO BRASIL

 

Regina R. Rodrigues*

 

Departamento de Geociências (GCN), Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

 

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Eventos ENOS alteram a circulação atmosférica sobre a América do Sul e Atlântico Tropical e Sul que por sua vez afetam o clima do Brasil. Por exemplo, eventos de El Niño causam um aquecimento no Atlântico Norte tropical e resfriamento no Atlântico Sul tropical. Com isto, a Zona de Convergência Intertropical (ZCIT) não se move para sul sobre o nordeste brasileiro, causando secas severas no mesmo. Já eventos de La Niña causam um resfriamento no Atlântico Norte tropical e aquecimento no Atlântico Sul tropical, propiciando a migração da ZCIT sobre o nordeste e, consequentemente, chuvas acima da média. Os efeitos do ENOS no clima do sul do país são opostos. Porém, tanto os eventos de El Niño como os de La Niña tem mudado suas características nas últimas décadas e seus efeitos no clima do Brasil também mudaram. Isto tem dificultado a previsão climática no Brasil com consequências desastrosas para a sociedade. Além disso, existe uma relação entre o ENOS e o dipolo do Atlântico Sul que é o principal modo de variabilidade do Atlântico Sul. Eventos de dipolo negativo que são caracterizados por um aquecimento no Atlântico Sul tropical e um resfriamento no Atlântico Sul subtropical estão relacionados a El Niños, e vice-versa para o dipolo positiva. Eventos de dipolo negativo estão associados com chuva acima da média no sul do Brasil e abaixo da média no sudeste. Já dipolos positivos estão associados com alta precipitação no sudeste relacionada a Zona de Convergência do Atlântico Sul e baixa precipitação no sul. Portanto, os efeitos do ENOS na circulação atmosférica e precipitação, bem como na temperatura da superfície do mar do Atlântico Tropical e Sul, são importantes para a zona costeira. Esta pode ser afetada diretamente por mudanças na temperatura da água ou indiretamente por mudanças nos padrões de ventos, ou ainda, no aporte de água doce causado por variações na precipitação continental.


A INFLUÊNCIA DA DINÂMICA LOCAL NA VARIABILIDADE SAZONAL DA CLOROROFILA-A NO BANCO DE ABROLHOS E ROYAL-CHARLOTTE

 

Renato D. Ghisolfi*,Meyre P. da Silva,Ricardo N.Servino e Mahatma Fernandes.

 

Laboratório Posseidon - Universidade Federal do Espírito Santo – ES

 

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O banco de Abrolhos é uma área de grande importância ecológica e econômica. Embora suporte os mais ricos recifes de coral do Atlântico Sul, a variação espacial e temporal da concentração de fitoplâncton permanece pouco conhecida, bem como os processos dinâmicos que controlam a sua variabilidade e os efeitos potenciais das alterações climáticas no seu desenvolvimento. O presente estudo investiga as distribuições sazonais e espaciais de clorofila-a (Chl-a) e as condições meteoceanográficas associadas por meio de dados de Chl-a nível 3 MODIS, ventos ETA, fluxos de calor NCEP e outros dados oceanográficos simulados pelos modelos HYCOM e MIROC a fim de entender como os cenários previstos podem afetar a concentração de clorofila-a. Os resultados mostram baixas/altas concentrações na primavera-verão/outono-inverno austral com maiores valores na porção norte do Banco de Abrolhos. As condições meteorológicas e oceanográficas durante o verão austral favorecem o desenvolvimento de uma forte estratificação. Essas condições são: 1) ventos N-NE favorecem uma circulação tipo ressurgência de Ekman, 2) o acoplamento entre o oceano aberto e plataforma continental favorece a ascensão de água fria subsuperficial na quebra de plataforma, 3) fluxo líquido positivo de calor. Durante o outono ventos S-SE estão em direção oposta ao sistema de correntes predominante sobre o Banco de Abrolhos, reduzindo sua velocidade e induzindo cisalhamento inverso. O oceano ainda mais quente e uma atmosfera relativamente fria e seca promovem o resfriamento evaporativo da camada superficial. Assim, a floração do fitoplâncton nas águas sobre o Banco de Abrolhos parece ser regulada pela dinâmica da camada de mistura (MLD). Se os cenários previstos favorecerem o aumento da estratificação, a concentração de Chl-a deverá diminuir. Por outro lado, se o aprofundamento da MLD e turbulência associada for o cenário mais provável, então o fitoplâncton deverá aumentar ou, no mínimo, se manter no nível atual.


VARIAÇÕES BIOGEOFÍSICAS NO SISTEMA COSTEIRO DA PLUMA DO RIO AMAZONAS: RESULTADOS FINAIS E PERSPECTIVAS

 

Eduardo Tavares Paes*

 

Universidade Federal Rural da Amazônia - UFRA

 

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As atividades de pesca na região costeira amazônica estão dirigidas principalmente aos recursos demersais, sendo que já se verificam indícios de sobre-exploração em muitas das espécies. A alta produção biológica e pesqueira da região costeira da Amazônia brasileira está associada aos processos biogeofísicos, controlados pela interação entre as descargas do rio Amazonas e de um conjunto de pequenos estuários, bem como, pelo regime pluviométrico de três grandes bacias de drenagem que deságuam na costa. Esses processos sofrem a influência, em maior escala, dos fenômenos do tipo “El Nino-Oscilação Sul” e das anomalias do gradiente térmico entre o Atlântico Norte e Sul. Durante dois anos de investigação na região de influência da Pluma do Amazonas na plataforma continental do Amapá-Pará foram definidos os principais modos de variação temporal e espacial das variáveis mais diretamente relacionadas à produtividade biológica como: concentração de clorofila-a, e a temperatura superficial do mar, bem como os índices de biomassa das principais espécies exploradas pela pesca, buscando-se estabelecer suas inter-relações. Os resultados obtidos com a análise das séries temporais das variáveis controladoras, na escala de bacia – média escala, (vazão do rio Amazonas e pluviosidade), foram comparados com os índices do ENSO e do gradiente meridional de TSM do Atlântico – grande escala. Medidas de variáveis biofísicas resultantes de três cruzeiros de pesquisas foram analisadas com o propósito de descrever as principais variações costeiras da pluma do Amazonas e elaborar uma proposta de monitoramento a longo prazo da Plataforma Continental Norte. Este projeto visa estabelecer e estruturar, em médio prazo, uma nova linha de pesquisa junto ao recém criado Programa de Pós-graduação em Aqüicultura e Recursos Aquáticos Tropicais da Universidade Federal Rural da Amazônia, em ecologia e oceanografia pesqueira da região costeira da Amazônia brasileira com o propósito de estabelecer as influências das variações climáticas sobre esses sistemas.


MUDANÇAS NA COMUNIDADE FITOPLANCTÔNICA E NAS TAXAS DE RECRUTAMENTO DE INVERTEBRADOS DO ENTRE-MARÉS DURANTE PASSAGENS DE SISTEMAS FRONTAIS NA COSTA SUDESTE DO BRASIL.

 

Áurea M.Ciotti, Peres, A. L. F. , Mazzuco, A. C. A. e Christofoletti, R. A.

 

Universidade de São Paulo, Instituto de Biociências, Centro de Biologia Marinha da USP.

 

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A região da plataforma continental interna próxima à ilha São Sebastião recebe intrusões de massas de agua oceânicas como a Água Central do Atlântico Sul (ACAS) e também massas de água de origem costeira advectadas do sul cuja propagação é facilitada durantes sistemas frontais. Durante 2012, foram realizadas coletas semanais, para a obtenção de dados físico-químicos e concentração de clorofila-a nas classes de tamanho do micro, nano e picofitoplâncton. No verão, os pulsos da ACAS pelo fundo do CSS, permitiram maior porcentagem do microfitoplâncton, porém apenas igualando-o ao nanofitoplâncton. No inverno, o nanofitoplâncton se sobressaiu. Investigamos também a variabilidade das taxas de recrutamento de cracas e mexilhões em escala mensal e quinzenal, em associação a entradas de ACAS e de sistemas atmosféricos frontais. As taxas de recrutamento de cracas foram maiores durante períodos com fortes ventos de quadrantes N-E e menores durante as passagens de frentes frias, devido a exposição a massas de agua oceânica durante as frentes. Mudanças no regime de ventos e entradas de frentes frias portanto afetam a composição dos produtores primários, bem como taxas de recrutamento de invertebrados responsáveis pela estruturação das comunidades em costões rochosos.


CURRENT STATE KNOWLEDGE OF SANDY BEACH AND ESTUARINE TIDAL FAUNA ALONG RIO DE JANEIRO COAST

 

Valéria Veloso1, Elianne Omena2,*, Phillipe Machado3e IlanaZalmon3

 

1-Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro – UNIRIO

2-Depto. Biologia Marinha, IB, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ

3-Universidade Estadual do Norte Fluminense – UENF

 

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As part of the Climate Network from National Institute of Science and Technology for Climate Change Events (INCT-MC), a National Benthic Monitoring Network (ReBentos) is reviewing the current state of knowledge in regards to sandy beaches and estuarine tidal fauna along Rio de Janeiro coast. The coastline of Rio de Janeiro is recognized as a very complex in terms of coastal geomorphology, when observed the entire Brazilian coast. Different coastal sand barriers, estuaries and an important delta (Paraíba do Sul) are the most representative habitats of the littoral. Despite its economic role, supporting tourism and coastal development, sandy beaches and estuarine tidal flats are under increasing pressure due to population increasing. This review included 63 studies, most of them scientific papers published in international and national journals. There is an uneven distribution of studies along the coast, with a high number at Rio de Janeiro city. Open sandy beaches studies are about population dynamics and secondary production of dominant species like sand hoppers (Emerita brasiliensis), ghost crabs (Ocypode quadrata), cirolanids (Excirolana brasiliensis) and talitrids (Pseudorchestoidea brasiliensis). Studies carried out in estuarine beaches are mainly focused on spatial and temporal distribution of macrofauna along hydrodynamic and pollution gradients. Human impacts associated to urbanization effect on beach macrofauna have been recently evaluated. During this review it was found that available scientific knowledge about beach fauna from north and south coastline is extremely limited. There is a need to conduct baseline research on the ecology of sandy beaches, with special attention at northern coastline and between Cabo Frio and Rio de Janeiro, where episodes of coastal erosion associated to storms waves are recorded. Appropriate management and successful conservation of these coastal sedimentary habitats can provide high quality recreation experiences and act as the primary buffer for storm and climate change events.


MACROALGAS DO BRASIL COMO INDICADORES DE MUDANÇAS CLIMÁTICAS: CONDIÇÃO ATUAL E POSSÍVEIS CENÁRIOS

 

Paulo Horta*, Caroline de Faveri, Cintia Lhullier, Cintia Martins, Eduardo Bastos, Eduardo Valduga, Everson Bianco, Fernanda Ramlov, Fernando Scherner, Leidson Allan de Lucena, Janayna Bouzon, Manuela Batista, Marina Sissini, Noele Arantes, Pablo Riul, Pamela Munoz, Paola Sanches, Rafael de Souza Almeida, Ronan Caetano, Talita Pinto, Ana Claudia Rodrigues, José Bonomi Barufe, Zenilda Bouzon, Marina Cabral e Leonardo Rorig.

 

Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina, Brasil.

 

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Nas últimas décadas se acentuam ao longo de nosso litoral alterações na fisionomia de inúmeros ambientes, especialmente costeiros, que já apresentam redução de diversidade em áreas urbanas. As causas destas alterações são de difícil explicação uma vez que o impacto de estressores locais, como a poluição, se confunde com as mudanças relacionadas ao aquecimento do planeta e à acidificação dos oceanos. Aqui apresentamos os esforços do grupo de Ficologia da UFSC e de instituições parceiras que nos últimos anos, através de estudos integrados, dimensionaram os impactos destas alterações ambientais complexas sobre o funcionamento, dinâmica de populações, composição e estrutura de comunidades de algas marinhas bênticas. A reavaliação da taxonomia de grupos chaves, utilizando ferramentas moleculares, alterou o padrão de distribuição até então conhecido de algumas espécies, o que alterou nosso entendimento do papel das condições macroambientais presentes em nosso litoral sobre a dispersão e eventual isolamento de grupos específicos. Estudos de ecofisiologia, avaliando o sinergismo de três fatores, têm evidenciado respostas distintas das esperadas tendo em vista o conhecimento proporcionado até então por experimentos uni ou bi fatoriais. Neste contexto um maior aporte de nutrientes, associado ao aquecimento e acidificação do meio, resultou na manutenção do desempenho fisiológico de algas calcárias como Lithothamnion e Sonderophycus, enquanto que em condições normais de temperatura ou de nutrientes, estas algas tiveram seu desempenho fisiológico comprometido. Modelos gerados a partir da compilação da flora Brasileira reforçam a possível ampliação da distribuição de táxons tropicais para áreas mais ao sul como já vem sendo observado. Apesar dos esforços descritos o estudo isolado das macroalgas não nos permite prever cenários futuros, por não considerarem interações biológicas. Estudos futuros devem investir na avaliação destas interações considerando os ambientes


IMPACTOs potenciais de mudanças climáticas na distribuição de pradarias de capim-agulha (Halodule wrightii), através do uso de modelos de distribuição de espécies

 

Pablo Riul1*, Joel C. Creed2, Margareth S. Copertino3, Karine Magalhães4, Kcrishna Barros5 e Paulo A. Horta6

 

1Departamento de Engenharia e Meio Ambiente, CCAE, Universidade Federal da Paraíba, 2Departamento de Ecologia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro,

3Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande – FURG,

4Universidade Federal Rural de Pernambuco,

5Universidade Federal do Ceará, Fortaleza,

6Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina

 

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O previsto aumento da temperatura superficial do mar poderá afetar a distribuição das espécies marinhas, resultando em contração, expansão ou deslocamento das suas áreas de ocorrência. Modelos de Distribuição Potencial de Espécies (MDE) podem ser usados para prognosticar efeitos de mudanças ambientais sobre processos biogeográficos. MDE se baseiam na relação entre a ocorrência observada e os fatores ambientais do nicho ecológico da espécie, para predizer a amplitude da distribuição geográfica potencial. Neste estudo utilizamos MDE para estimar a distribuição atual e futura de pradarias de fanerógamas marinhas ao longo da costa do Brasil. O algoritmo Máxima Entropia (Maxent) foi utilizado para projetar a distribuição atual de Halodule wrightii e sob três cenários do IPCC (550 ppm; 720 ppm e 800 ppm) até 2100. Os parâmetros ambientais (nitrato, fosfato, temperatura, irradiância etc) foram obtidos do banco de dados global Bio-Oracle e as variáveis foram selecionadas com base em sua relevância biológica para a espécie. O vício amostral geográfico foi corrigido por função de estimação de densidade (método de Kernel). De acordo com o índice de avaliação (AUC = 0.746), o modelo apresentou uma boa eficácia preditiva. Aumento nos índices de “potencial do habitat” foi observado em todos os cenários, com expansão da área de ocorrência em direção ao sul em centenas de quilômetros. As incertezas nas previsões ocorreram na região Norte, sob influência dos grandes rios, onde a alta turbidez e hidrodinâmica já afetam a distribuição atual de pradarias. Estes resultados preliminares indicam que o aumento da temperatura afetará a distribuição de H. wrightii ao longo da costa brasileira. Entretanto, é necessário considerar os efeitos aditivos ou sinérgicos entre diferentes fatores ambientais afetados pelas mudanças climáticas, assim como interações com os impactos antropogênicos. A coleta de informações geoespaciais e o monitoramento contínuo dos prados (atualmente realizado pela ReBentos) contribuirão para melhorar este e outros modelos preditivos.

 

 

 

 

Support: SISBIOTA-ReBentos, PELD-FURG,

CNPq e FAPERJ

 


VULNERABILIDADE E ADAPTAÇÃO DE PESCADORES ARTESANAIS COM TERRITÓRIOS SOBREPOSTOS A ÁREAS PROTEGIDAS MARINHAS

 

Luiz F. D. Faraco1,*, José M. A. Filho2, Paulo da C. Lana2 e Cristina F.Teixeira2

 

1Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade/Ministério do Meio Ambiente

2Universidade Federal do Paraná

 

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A vulnerabilidade dos pescadores artesanais do litoral do Paraná vem aumentando devido à queda nas capturas e a problemas de gestão dos recursos naturais costeiros. Vivendo junto a áreas de elevada biodiversidade, os pescadores são também afetados pelas restrições trazidas por unidades de conservação de proteção integral. As alterações associadas às mudanças climáticas funcionarão como fontes adicionais de impacto aos meios de vida dessas populações, principalmente devido à acentuação da queda nas capturas, prevista para as regiões tropicais e subtropicais. Uma série de fatores internos e externos, sociais e ecológicos, contribuem para gerar condições diferentes de vulnerabilidade, e as estratégias de adaptação desenvolvidas na atualidade para lidar com essas perturbações podem ser vistas como análogas de respostas futuras. Este trabalho teve como objetivos caracterizar as diferenças na vulnerabilidade desses pescadores aos efeitos previstos das mudanças climáticas e descrever qualitativamente e quantitativamente as diferenças nas estratégias de adaptação adotadas e cogitadas nos domicílios, de acordo com o nível de capacidade adaptativa em que se encontram, e quanto ao efeito sobre elas das unidades de conservação. Foram amostrados 213 domicílios, distribuídos em 9 vilas, no Complexo Estuarino de Paranaguá. Os resultados indicam que a vulnerabilidade varia entre as vilas, e mesmo entre domicílios, e as diferenças são determinadas principalmente pelo nível de dependência em relação à pesca, pelo capital físico disponível e pelo grau de participação dos moradores em organizações comunitárias. As unidades de conservação afetam a vulnerabilidade dos pescadores duplamente e de maneira diferenciada, restringindo tanto o meio de vida atual quanto as opções de adaptação futura daqueles que já são mais vulneráveis. Os resultados dessa análise serão úteis para a adequação e integração das políticas de adaptação às mudanças climáticas, de gestão da pesca e de conservação da biodiversidade, contribuindo para promover a resiliência conjunta de pescadores e ecossistemas costeiros.


 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Resumos

 

PAINÉIS


Brazilian Long Term Ecological Research: Lessons learned from long term studies in the Patos Lagoon estuary and adjacent coast

 

Clarisse Odebrecht*, José H. Muelbert, Paulo C. O.V. de Abreu, André L.Colling, Margareth da S. Copertino,Elisa H. L. Fernandes, Carlos A. E. Garcia, Osmar O. Möller, Eric Muxagata, Eduardo R. Secchi e João P. V. Sobrinho

 

Instituto de Oceanografia, Universidade Federal do Rio Grande, Rio Grande, RS, Brazil

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Southern Brazil is one of the extratropical regions most affected by ENSO regime, with a strong signal in the El Niño, marked by warmer periods and precipitation anomalies. In the coastal plain of the region, a dominant feature is the Patos-Mirim Lagoon complex (~14,000 km2), which is receives water from a 200.000 km2 drainage basin. The estuary of the Patos Lagoon presents high biological productivity and at the same time is host of important port and industrial activities. The estuarine biology and hydrology has been studied since the 19th century and systematic studies were conducted in the last 20 years, with continuous and daily sampling frequencies for abiotic environmental parameters, and weekly, monthly to seasonal for biological components. The estuary and adjacent coast has been a SITE (~1,500 km2) of the Brazilian Long Term Ecological Research (LTER) since 1999. The studies demonstrated that this estuary is a river-dominated system, with peaks of river discharge associated with El Niño episodes (negative El Niño Southern Oscillation, ENSO), when rainfall significantly increases in the region. Low discharge periods, on the other hand, occur during drought years (La Niña). These phenomena have direct influence on salinity variations in the estuary, with low values recorded during El Niño and high salt-water intrusion during La Niña years. Salinity variation influences sediment dynamics and physicochemical water characteristics, inducing significant biological changes and ecological responses. For instance, species composition, abundance and biomass of phytoplankton, zooplankton, benthic flora and macrofauna and the recruitment of resident and estuarine dependent fish in the estuary are all affected by ENSO. ENSO also causes significant changes in commercial fisheries of the mullet Mugillizaand the pink shrimp Farfantepenaeuspaulensiswith important economic and social impacts, while top predators seem to be more resilient to ENSO effects at local scale. Projections of anthropogenic climate change modelsindicate increase in frequency of ENSO episodes in near future, and increasing temperature, precipitation and fluvial discharge for Southern South America. Therefore, our long-term results provide a solid basis to foster vulnerabilities and modelling studies, about the impacts of climate changes on Patos Lagoon estuarine system.

 

The sinthesis is part of the Brazilian Long Term Ecological Research (LTER), sponsored by CNPq. CAPES and CNPq provided support to many projects, thesis and dissertations.


CLASSES GRANULOMÉTRICAS E INDÍCIOS DE EROSÃO COSTEIRA NAS PRAIAS DA COSTA SUL E CENTRO SUL DE SANTA CATARINA

 

Andreoara D. Schmidt1,*, Norberto O. H. Filho1, Ulisses R. de Oliveira2 e Cristian N. Estevam1

 

1Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

2Universidade Federal do Rio Grande - FURG

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Localizada no sul do Brasil, a costa do estado de Santa Catarina possui 538 km de extensão, setorizado em cinco unidades, com praias e fisiografias diversificadas, decorrentes do intenso dinamismo entre o oceano, o continente e a atmosfera, sobre uma costa rochosa e arenosa. Neste contexto, observa-se a linha de costa constantemente modelada pela ação de ondas, correntes e ventos. O objetivo deste trabalho é analisar a granulometria dos sedimentos praiais e os indícios de erosão costeira para cada classe granulométrica do litoral Sul e Centro sul do Estado de Santa Catarina. Foram realizadas coletas de amostras superficiais de sedimento na porção subaérea da praia em 113 pontos, as quais foram submetidas a análise granulométrica padrão, complementado pela obtenção de uma série de dados oceanográficos e ambientais, dentre os quais o indício de erosão costeira. Os resultados indicam que do universo amostral, 91,2% das amostras são compostas de areia fina e 8,8% de areia média, encontrada somente para o litoral Centro sul. Por sua vez, índicos de erosão foram observados em 23 pontos do total amostrado. Proporcionalmente, ao número das amostras coletadas, os indícios de erosão representam 20% para a classe areia fina (média 2,44 phi) e 22% para praias de areia média (média 1,67 phi). Percebeu-se que proporcionalmente tanto praias com tamanho de grão de areias finas ou medias apresentam indícios de erosão, estando o mesmo relacionado principalmente com a supressão ou modificação das características naturais das praias e/ou interface dunas, não estando a erosão costeira associada a um determinado tipo granulométrico para o segmento analisado.


REGIMES PROBABILÍSTICOS DE COTA DE INUNDAÇÃO COSTEIRA DO BRASIL - EXEMPLO DE APLICAÇÃO NO ARCO PRAIAL BARRA DA LAGOA-MOÇAMBIQUE, FLORIANÓPOLIS, SC, BRASIL

 

Charline Dalinghaus1,*, Paula Gomes da Silva1, Mariela Muler1, Rafael S. V. de Camargo1, Michel F. V. Prado1, Matheus de A. Bose1, Omar Gutiérrez2, Mauricio González2, Antonio Espejo2, Ana Abascal2e Antonio H. F. Klein1

 

1Laboratório de OceanografiaCosteira- UniversidadeFederaldeSantaCatarina- UFSC

2EnvironmentalHydraulicsInstituteIH-Cantabria”,Universidad deCantabria

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Este trabalho apresenta um exemplo de aplicação da metodologia de cálculo de nível instantâneo do mar (maré meteorológica + maré astronômica) e cota de inundação (nível instantâneo + runup), referentes ao período de retorno de 50 anos para os extremos do arco praial Moçambique - Barra da Lagoa, proposta pelo documento "Regimes Probabilísticos de Cota de Inundação Costeira do Brasil". A cota de inundação foi calculada com baseno runup superadopor 2% das ondas incidentes, levando em conta a declividade da praia e da antepraia, rugosidade e permeabilidade. Verificou-se que o nível instantâneo do mar atingiuo valor de 1,37 metros nos dois extremos do arco praial. Os resultados de cota de inundação apontaram valores de 2,9 metros e 4,8 metros para a Barra da Lagoa e Moçambique, respectivamente. Apesar de apresentar menoresvalores de cota de inundação, a área inundada naporção da praia da Barra da Lagoa atingirá a área urbana do local, uma vez que esta apresenta um terreno com menor declividade (tanβ= 0.00452513) e sem dunas. Enquanto napraia do Moçambique, mesmo com maior valor de cota de inundação para o período de retorno de 50 anos, a elevação do nível da água não atingirá áreas urbanas, ficando restrita a zona de dunas.


Metodologia para quantificação de riscos costeiros e projeção de linhas de costa futuras como subsídio para estudos de adaptação das zonas costeiras do litoral norte da Ilha de Santa Catarina e regiões de entorno

 

Mariela Muler1,*, Rafael S. V. de Camargo1, Michel F. V. Prado1, Ronaldo dos S. Rocha2, Marina Borges1, Matheus de A. Bose1, Guilherme V. da Silva3, Paula G. da Silva3, Charline Dalinghaus1, Jarbas Bonetti1eAntonio H. da F. Klein1

 

1Laboratório de Oceanografia Costeira – LOC, Departamento de Geociências, Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

2Departamento de Geodésia, Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

3Instituto de Geociências, Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS.

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Este trabalho apresenta resultados preliminares da avaliação de metodologia para quantificação de riscos costeiros relativos ao aumento do nível do mar, grandes tempestades e galgamentos oceânicos, assim como projeção de linhas de costa para quantificação e integração dos perigos para o litoral norte da Ilha de Santa Catarina e áreas adjacentes. Como resultados, tem-se o mapeamento dos referenciais de nível em operação na área estudada e a verificação da precisão das bases cartográficas oficiais (SPU e IPUF). De acordo com Legislação Cartográfica Brasileira, concluiu-se que a qualidade da base cartográfica de Florianópolis é compatível com a Classe B do PEC (Padrão de Exatidão Cartográfica). Resultados parciais referentes às primeiras análises da variação da linha de costa do norte e leste da ilha (11 praias – período 1957 a 2012) apontam predominância de retração (84% da linha de costa). Taxas variam de -7,43m/ano (retração) a 5,57m/ano (progradação), com média de -0,35m/ano. Algumas praias estão retraindo em toda sua extensão, enquanto outras apresentam trechos intercalados de progradação, podendo isto estar indicando bypassing de sedimento ou rotação praial. Estão em análise dados de perfis praiais realizados com receptor GNSS (RTK) a cada 200m nas praias da área de interesse e sedimentos coletados em até quatro pontos por perfil (antepraia, face praial, pós-praia e dunas). Outros resultados preliminares referem-se ao levantamento batimétrico de detalhe que vem sendo realizado, no qual medidas de profundidade são tomadas por método interferométrico (aliado a imageamento do fundo marinho). Realizou-se também estudos de simulações de nível d’água, inundação costeira e de cenários de propagação de ondas para dimensionamento do fundeio de três ADCPs. Os produtos finais do projeto serão mapas de risco, com indicações da localização da linha de costa nos próximos 5, 10, 25 e 50 anos, a serem disponibilizados como subsídio para estudos de adaptação de zonas costeiras.


Análise do balanço de carbono no Litoral Norte de São Paulo, Brasil: cenários futuros para o aquecimento global

 

Bruna F. Pavani1,*, Wilson C. de S. Junior1, Carlos E.Nakao Inouye1, Simone A. Vieira2 e Allan Y. Iwama2

 

1Engenharia de Infra-estrutura Aeroportuária – Instituto Tecnológico de Aeronáutica - ITA

2Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais – Universidade Estadual de Campinas - Unicamp

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O armazenamento e sequestro de carbono estão ligados à função ecossistêmica de regulação do clima, um dos processos ecológicos essenciais de suporte à vida. O principal objetivo deste trabalho é comparar o armazenamento de carbono entre o cenário atual e cenários futuros com o aumento da temperatura atmosférica devido às mudanças climáticas globais. Para tanto, consideram-se as mudanças no uso e cobertura da terra (LULC) propostas em três cenários para o Litoral Norte de São Paulo em 2030. Foi aplicado o módulo CarbonStorageandSequestration do modelo InVEST (The Natural Capital) que agrega a quantidade armazenada em cada compartimento de carbono nas paisagens. Os valores encontrados nos cenários de enquadramento legal (LE) e status quo (SQ) são semelhantes, respectivamente, 273.648 e 294.554 Mg para a redução da capacidade de armazenamento de carbono. No entanto, considerando os novos empreendimentos na região (NE), a supressão da vegetação local é muito maior e a perda ultrapassa 4.131.350 Mg. Inserindo o aumento da temperatura atmosférica, os valores de perda no armazenamento de carbono tornam-se superiores a 3,7 milhões Mg para os cenários de SQ e LE e alcança 7,2 milhões Mg para o cenário NE, demonstrando os impactos de um aquecimento global iminente. Os resultados indicam uma liberação adicional preocupante de carbono para a atmosfera, intensificando os efeitos negativos das mudanças climáticas. Posteriormente, foi realizada uma avaliação econômica do balanço de carbono para os cenários apresentados, de acordo com o preço de mercado de carbono para projetos de REDD e da taxa de desconto do mercado financeiro. O modelo utilizado e as adaptações de pré-processamento realizadas para aumentar a precisão dos dados de entrada permitiram gerar resultados passíveis de utilização para políticas públicas relacionadas à adaptação às mudanças climáticas bem como para objetivos de conservação de ambientes naturais.


Fluxo e dinâmica do CO2 inorgânico nos sistemas estuarinos de Caravelas e da Baia de Guanabara

 

Carlos A. R. e Silva

 

Universidade Federal Fluminense, Departamento de Biologia Marinha, Programa de Pós-Graduação em Dinâmica dos Oceanos e da Terra (DOT), Niterói/RJ.

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O modelo econômico atual vem causando enormes efeitos ambientais, dentre estes está o aumento da pressão parcial do CO2 na atmosfera que, consequentemente, aumenta pCO2 aquosa no sistema marinho. Neste processo de dissolução, parte do CO2 reage com H2O resultando no aumento da concentração de H+. Definimos como acidificação a queda nos valores do pH no oceano, promovidas pela entrada do CO2 pela queima dos combustíveis fósseis; como também o CO2 proveniente dos dejetos orgânicos despejados dentro das águas costeiras e estuarinas.As fontes de CO2 inorgânico, os fluxos, e os mecanismos de transporte e transformação são importantes questões que envolvem a mudança climática. Essa palestra relata valores de pH, da alcalinidade total (AT), do estado de saturação da calcita (ΩCalc), do estado de saturação da aragonita (ΩArag), do somatório do carbono inorgânico dissolvido (CIC), a pressão aquosa do CO2 e o fluxo do CO2 nos estuários. Os procedimentos de coleta e de acondicionamento das amostras de água para caracterização do sistema carbonato seguem o protocolo internacional.Recentemente, as áreas costeiras tem chamado atenção devido aos fluxos do CO2. Os fluxos de CO2 medidos pelos pesquisadores são motivados pelo efeito do CO2 no clima do planeta, na acidificação do oceano e também para entender o papel das áreas costeiras no sequestro do CO2. Independente da motivação, os valores gerados dos fluxos do CO2 entre a água e a atmosfera não possuem exatidão. Isso se deve porque algumas constantes físicas fundamentais para o fluxo são geradas em condições especiais em laboratório e não consideram todos os fatores que interferem no fluxo do CO2.O estudo de caso da presente apresentação contempla os estuários de Caravelas (BA) e Caceribú (RJ).


Photosynthesis and biochemical composition of three Mediterranean macroalgae under a climate change scenario: experimental approach

 

José B. Barufi
1
, Félix L.Figueroa2, Rafael Conde-Álvarez2, Udo Nitschke3, Francisco Arenas4, Mayte Mata2, SolèneConnan5,6, M. Helena Abreu7, Erik-J. Malta8, Ronny Marquardt9, Fátima Vaz-Pinto4, Talina Konotchick10, Paula Celis-Plá2, Maibe Hermoso2, David López2, Gema Ordoñez2, Esther Ruiz2, Pauli Flores2, Jesús de los Ríos2, Dara Kirke3, Fungyi Chow11, Cristina A.G. Nassar12, Daniel Robledo13, Ángel Pérez-Ruzafa14, Elena Bañares-España15, Marianela Zanolla15, María Altamirano15, Carlos Jiménez2, Nathalie Korbee2, Kai Bischof16e Dagmar B. Stengel3
 1
Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina

2Departmentoof Ecología, Facultad de Ciencias. Universidad de Málaga

3Botany and Plant Science, Ryan Institute for Environmental, Marine and Energy Research, National University of Ireland, Galway

4CIIMAR/CIMAR - Interdisciplinary Centre of Marine and Environmental Research, University of Porto

5Photobiotechnology, INTECHMER, Conservatoire National des Arts et Métiers

6CNRS, GEPEA, UMR6144, Boulevard de l’Université

7ALGAplusLtd – R&D Department

8Centro IFAPA Agua del Pino, Crtra. El Rómpido – Punta Umbría

9Department Aquaculture, Fraunhofer Institution for Marine Biotechnology

10
Environmental & Microbial Genomics Department, J. Craig Venter Institute

11Department of Botany, University of São Paulo

12Departamento de Botânica, Instituto de Biologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro

13CINVESTAV-IPN, Unidad Mérida

14Departamento de Ecología e Hidrología, Facultad de Biología, Universidad de Murcia

15Departamento de Biología Vegetal, Facultad de Ciencias, Universidad de Málaga

16Marine Botany, Bremen Marine Ecology Centre for Research and Education, University of Bremen

 

Short-term effects of increased pCO2 (700 ppm vs 390 ppm) at different nitrogen levels (50 µM vs 5 µM nitrate) on photosynthetic activity, energy dissipation, protein and total fatty acid contents, photoprotectors and their antioxidant activities, calcification and C:N ratios were analyzedin three eulittoral Mediterranean macroalgae with different carbon assimilation efficiencies and bio-optical characteristics: Ulva rigida (Chlorophyta), Cystoseira tamariscifolia (Heterokontophyta) and Ellisolandia elongate (Rhodophyta). After acclimation to different pCO2 and nitrogen conditions for six days, the algae were submitted to a 4 oC temperature increase for three days. C. tamariscifolia presented the highest maximum quantum yield (Fv/Fm) and productivity (as ETRmax) under all treatments, followed by U. rigida and E. elongata. Increased temperature and pCO2 produced alterations in the photosynthetic pattern and biochemical composition of the three macroalgae: the ETRmax decreased showing a photosynthetic acclimation pattern as shade-type algae. No effects on calcification of E. elongate awere observed.U. rigida was most affected by increased pCO2 and temperature followed by C. tamariscifolia and E. elongata. In U. rigida, the reduction in productivity (ETRmax) was also affected by the decrease in nitrate seawater concentration; oligotrophication could thus increase the vulnerability of this species to climate change. Soluble protein content was positively related to phenolic compounds in C. tamariscifolia and U. rigida whereas total fatty acid content increased with temperature and was positively related to polyphenol content, indicating a potential link between primary and secondary metabolism. The functional pattern of the three macroalgae in response to the pCO2, nitrogen and temperature regime may be explained in terms of their bio-optical characteristics, ETRPSI:ETRPSII ratios, ETRmax/NPQmax ratios, antioxidant activity of polyphenols and energy dissipation mechanisms (in C. tamariscifolia, the main energy dissipation under high pCO2 is as Y(NPQ) through xantophyll cycle whereas in U. rigida was the Y(NO) as constitutive thermal dissipation).


Effect of high CO2 on photosynthesis and biochemistry of calcifying versus non-calcifying seaweeds from Cabo de Gata-Níjar Natural Park (Southern Iberian Peninsula)

 

Nathalie Korbee1,*, Nelson P. Navarro 2, Marta García-Sánchez3, Paula Celis-Plá1, Endika Quintano4, Margareth S. Copertino5, Are Pedersen6, Rodrigo M. Zeidan7, Ravirajan Mangaiyarkarasi8, Angel Pérez-Ruzafa3, Félix. L. Figueroa1 e Brezzo Martínez B.9

 

1Department of Ecology, Faculty of Science, University of Málaga, Málaga, Spain

2Faculty of Science, University of Magallanes, Punta Arenas, Chile.

3Department of Ecology and Hidrology, Faculty of Biology. University of Murcia, Murcia, Spain

4Department of Plant Biology and Ecology, University of the Basque Country, Bilbao, Spain.

5Institute of Oceanography, Federal University of Rio Grande-FURG, Rio Grande, Brazil

6Norwegian Institute for Water Research, Department of Marine Biology, Oslo, Norway.

7Department of Botany, Institute of Biology, Federal University of Rio de Janeiro, Brazil

8Plant Biology and Biotechnology,CKN College Thiruvalluvar University INDIA

9Biology and Geology Department, Rey Juan Carlos University, Móstoles, Spain.

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The short-term effect of CO2 enrichment on the ecophysiology of three key species of the Mediterranean Coast wereanalysed. We compared the response of non-calcified (brown Cystoseiratamariscifolia) versus calcified (brown Padinapavonica and red Ellisolandiaelongata) marine macroalgae. The two calcified species had different types of calcification: while P. pavonica is light calcified with aragonite, E. elongata is a calcareous form with magnesium calcite. The species were incubated in situ, aerated with air at 1) ambient pCO2 and 2) under the pCO2 predicted by the end of the 21st century (700 µatm). The effect of pCO2 on photosynthesis, photosynthetic pigments, photoprotection mechanisms, an internal C and N content were analysed, before and after exposure to treatmens. To our knowledge, it is the first study to evaluate the effect of CO2 on algal photoprotective compounds. Higher net photosynthesis was found in P. pavonica under high CO2, than under ambient CO2. The opposite response occurred in C. tamariscifolia. The effect of pCO2 on photosynthesis was less evident in E. elongate, but this alga increased photoprotective pigments with high antioxidant capacity. The brown algae showed activation of the non-photochemical quenching mechanism (heat dissipation) under high CO2, indicating a higher photoprotective capacity. The results indicated that in very shallow areas with dense vegetation and rockpools, the effect of anthropogenic CO2 on marine communities can be counteracted by algal photosynthetic carbon uptake, which causes a rise in pH. The marked differences in the physiological responses between the species to elevated pCO2, related to their biochemistry and morphological features, may represent a future shift in their relative dominance (calcareous vs non-calcareous algae). Together with other studies, the present results support the idea that ccertain calcified phaeophyta can being amongst the ecological “winners” under ocean acidification.


Ecophysiological responses of dominant rock-shore macroalgae to changes in light and nutrient supply in Southern Iberian Peninsula

 

Paula C.-Plá1,2,*, Brezzo Martínez3, Endika Quintano4, Marta G.-Sánchez5, Are Pedersen6, Nelson P. Navarro7, Margareth S. Copertino9, Ravirajan Mangaiyarkarasi8, Rodrigo M. Zeidan10, Félix. L. Figueroa1 e Nathalie Korbee1.

 

1Department of Ecology, Faculty of Science, University of Málaga, Málaga, Spain

2Laboratory of Botany, Faculty of Pharmacy, University of Barcelona, Barcelona, Spain

3Biology and Geology Department, Rey Juan Carlos University, Móstoles, Spain

4Department of Plant Biology and Ecology, University of the Basque Country, Bilbao, Spain

5Department of Ecology and Hidrology, Faculty of Biology, University of Murcia, Murcia, Spain

6Norwegian Institute for Water Research, Department of Marine Biology, Oslo, Norway

7Faculty of Science, University of Magallanes, Punta Arenas, Chile

8Plant Biology and Biotechnology, CKN College, Thiruvalluvar University, India

9Institute of Oceanography, Federal University of Rio Grande-FURG, Rio Grande, Brazil

10Department of Botany, Institute of Biology, Federal University of Rio de Janeiro, Brazil

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The short-term ecophysiological responses of the macroalgae Cystoseiratamariscifolia (Pheophyceae) and red Ellisolandiaelongata (Corallinaceae) to changes in irradiance and nutrient conditions were analyzed in situ in a Mediterranean rocky shore environment at Cabo de Gata-Níjar Natural Park. The response of fluorescence based photosynthetic parameters, pigments, carbon (C) and nitrogen (N) contents were analyzed in macroalgae collected from the depths of 0.5 m and 1.5 m and exposed to a factorial experiment, combining two treatments: irradiance (100% [100%PAB]vs. 70% [70%PAB]of the surface irradiance) and nutrient addition (enriched vs. non-enriched). Physiological responses of C. tamariscifolia and E. elongata, brought from the two different depths, were affected by both irradiance and nutrient treatments, with significant interactions between factors. C. tamariscifolia collected at 0.5 m and exposed to 70%PAB showed higher maximum photosynthetic rate, saturation light and Chl-a content and lower antioxidant capacity. Under same conditions, E. elongata (from shallow waters) showed increases in saturation light, and accessory pigment contents. Under 100%PAB, C. tamariscifolia collected at 1.5 m depth waters showed increases in maximal quantum yield, light utilization coefficient αETR, maximum non-photochemical quenching, and also in antheraxanthin and phenolic compounds. In contrast, E. elongata (from 1.5 m depth waters) showed increase in the αETR. Under enriched nutrient conditions, an increase in phenolic compounds, carotenoids and the internal N content was observed in C. tamariscifolia collected from both depths. However, in E. elongata the light treatments derived in an increase in internal N content and mycosporine-like amino acids (MAAs) content, under the same conditions. The two dominant rocky-shore species showed distinct ecophysiological responses to the combined effects o irradiance and nutrient supply, associated to their morphological trait and pigment characteristics. Ambient light and nitrogen availability regulate the accumulation of the secondary metabolites (MAAs and phenols), The study suggests potential additive effects of stressors associated to climate change, depending on the original depth.


Efeitos da acidificação na estrutura e ultraestrutura foliar de

Halodule wrightii (Cymodoceaceae)

 

Geniane Schneider*, Camilla Reis Augusto da Silva, IsabelBrandalise, José BonomiBarufi e Ana Claudia Rodrigues

 

1Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC

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O aumento do CO2 na atmosfera tem causado acidificação dos ambientes aquáticos. Até o final do século espera-se uma redução de 0,3 a 0,4 unidades no pH dos oceanos. Halodule wrightii é uma das cinco espécies de angiospermas marinhas presentes no litoral brasileiro. Vive totalmente submersa e apresenta importantes associações com outros organismos. A fim de verificar os efeitos da acidificação, H. wrightii foi cultivada em mesocosmos durante trinta dias em diferentes valores de pH. Os tratamentos consistiram em reduzir, por meio da adição de CO2 na água, 0,3, 0,6 e 0,9 unidades no pH em função dos valores obtidos no ambiente natural (controle). Amostras da folha foram coletadas no 1º, 15º e 30º dia do experimento para análises estruturais quantitativas e qualitativas em microscopia de luz, incluindo também análises ultraestruturais na coleta do 30º dia. Quantitativamente, através de metodologia usual em estudos de anatomia vegetal, foram analisadas largura e espessura da folha, do mesofilo e da epiderme. Qualitativamente foram analisados, através de testes histoquímicos, presença de proteínas, polissacarídeos ácidos e neutros. Os resultados quantitativos foram analisados estatisticamente utilizando ANOVA, seguida de teste de separação de médias (SNK). Os resultados mostraram que no 30º dia as larguras das folhas foram significativamente menores nas amostras do controle e dos tratamentos -0,3 e -0,6 em relação ao -0,9. No 15º todos foram iguais estatisticamente, exceto pelo tratamento -0,6 que foi maior que o controle. No 1º dia o tratamento -0,9 foi maior que o controle e -0,6. Para os demais parâmetros analisados o tratamento -0,3 no 30º dia foi significativamente igual ao controle e tratamento -0,6, diferindo do -0,9 . As análises qualitativas estruturais e ultraestruturais, incluindo testes histoquímicos, até o momento, não apresentaram variações visuais entre controle e demais tratamentos, porém essas análises ainda estão sendo realizadas. Os resultados preliminares do presente estudo indicam que H. wrightii tolera as diferentes variações de CO2 testadas no experimento, pois apesar das respostas significativas de alguns aspectos quantitativos, a estrutura e ultraestrutura da folha não exibiram grandes mudanças entre o controle e os referidos tratamentos.


Efeitos das variações de pH, temperatura e nutrientes na ecofisiologia de Lithothamnion crispatumHauck (Corallinales, Rodophyta) e Sonderophycus capensis (montagne) m.j. wynne(Peyssonneliales, Rodophyta): subsídios para o entendimento das mudanças climáticas

 

Pamela Muñoz*, Paulo Horta e Jose Bonomi Barufi

 

Programa de Pós-graduação em Biologia de Fungos, algas e Plantas,

Departamento de Botânica, Universidade Federal de Santa Catarina. 88040970, Florianópolis

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No presente trabalho se avaliou os efeitos da interação das mudanças do pH, temperatura e nutrientes no desempenho fisiológico de duas espécies de algas calcárias com diferenças de distribuição e afinidades ecofisiológicas. Sonderophycuscapensisé uma espécie típica de ambientes temperados frios, enquanto que Lithothamnioncrispatumé uma espécie de ambientes tropicais. A partir de experimentos feitos em microcosmo, a elevada temperatura (30°C) se mostrou o principal fator que levou às alterações da fisiologia. A ETR decresceu drasticamente nos tratamentos que se encontravam em elevada temperatura nas duas espécies. Adicionalmente, os tratamento que se encontrava em temperatura elevada, o baixo pH (7,2) manteve a ETR constante atuando de forma antagônica com a temperatura. Por outro lado, o baixo pH atuo de forma aditiva diminuindo as porcentagens de calcificação nas duas espécies. Ademais, a temperatura elevada beneficiou a calcificação, chegando até uma porcentagem de 51% em condições de acidificação no caso do rodolito. Os efeitos da diminuição do pH também foram observados na química da água. Assim, a concentração do íon carbonato (CO3 -2) foi menor nos tratamentos com baixo pH. Enquanto que as saturações de calcita e aragonita também variaram ao encontrar-se em baixo pH sendo menores. Na maior parte das análises feitas nas duas espécies, os fatores mais importantes foram temperatura e pH, atuando de forma aditiva ou sinérgica. Não obstante, os nutrientes não tiveram grande influencia na fisiologia. Apesar das diferenças na distribuição e na composição química do CaCO3 das duas espécies, não se observaram diferenças nas respostas fisiológicas ao ser submetidas a variações de temperatura, pH e nutrientes. Em futuros experimentos, a aplicação dos fatores já mencionados por maiores períodos de tempo poderia contribuir para entender de melhor forma as implicâncias na ecofisiologia sobre as espécies calcificadas.


Estrutura das comunidades de macroalgas no mesolitoral rochoso da região sul do Atlântico Sul Ocidental

Karine Mariane Steigleder*, Marianna Lanari e Margareth S. Copertino

 

Programa de Pós-Graduação em Oceanografia Biológica, Instituto de Oceanografia. Universidade Federal do Rio Grande – FURG, c.p. 474 - cep 96203-900 – Rio Grande - RS, Brasil.

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As condições climáticas e oceanográficas do Sul do Brasil condicionam uma zona biogeográfica marinha temperada-quente, com redução da disponibilidade de costões rochosos e empobrecimento da diversidade das macroalgas em direção ao sul.A deficiência de informações atualizadas sobre estas comunidades impossibilita avaliar as possíveis modificações na biodiversidade, causadas por impactos antropogênicos e mudanças climáticas globais. O presente estudo objetiva avaliar a composição e abundância das comunidades de macroalgas em substratos consolidados da região Sul do Atlântico Sul Ocidental, em função do gradiente latitudinal e características do substrato. A composição e abundância das macroalgas foram estudadas em costões de Imbituba, Itapirubá (SC), Torres, Rio Grande (RS) e La Coronilla (Uruguai), distribuídos em 700 km de litoral (entre 28˚13΄28,84˝S; 48˚39΄40,76˝W até 33˚56΄37,59˝S; 53˚30΄26,92˝W) em maio de 2013. Em cada local as macroalgas foram amostradas em até dois costões rochosos (exposto e protegido), ao longo de três transversais perpendiculares à costa, na zona mesolitoral. O percentual de cobertura das algas (táxons e grupos morfofuncionais) foi quantificado in situ dentro de quadrados gradeados (20cm2; 400 x1cm²), e posteriormente através de análises de imagens digitais (fotoquadrados). Os resultados indicam que os taxons dominantes na região foram Ulva spp, Corallinasp, Jania sp e Pyropia sp (Porphyra sp). Resultados da Análise de Coordenadas Principais (PCoor) evidenciaram um gradiente latitudinal, com diferenças significativas entre locais quanto a composição das espécies (ANOSIM, R2 = 0,58; p < 0,0001). Embora a posição geográfica tenha sido o principal fator no agrupamento das comunidades, os costões de Santa Catarina e Uruguai apresentaram alta similaridade nos grupos morfofuncionais. Temperatura e salinidade média sazonal, associadas com outras características hidrológicas, explicam em parte as diferenças encontradas entre locais. Adicionalmente, grau de exposição às ondas, índice de rugosidade e declividade do substrato podem ser fatores significativos nos padrões de zonação vertical. Os resultados sobre a composição das espécies serão comparados com dados pretéritos compilados, visando detectar possíveis modificações na biodiversidade, ocorridas nos últimos 30 anos.


Estrutura dos bancos de rodolitos em uma região do litoral norte da Bahia, Brasil

 

Neilton Argolo Andrade1, Augusto Minervino-Netto2 e José Marcos de Castro Nunes3,*

 

1Universidade do Estado da Bahia, Programa de Pós-Graduação em Biodiversidade Vegetal

2 Universidade Federal da Bahia, Instituto de Geociências

3 Universidade Federal da Bahia, Instituto de Biologia

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A elevada riqueza da flora e fauna marinha da plataforma continental brasileira é em muitos casos atribuída à grande disponibilidade de substrato consolidado, tem-se verificado em grandes extensões da plataforma continental a existência de fundos representados por concreções de algas calcárias e extensos bancos de rodolitos. A carência de estudos sobre a biota do litoral baiano aliada à crescente expansão econômica em que a Bahia se encontra, principalmente na região costeira, faz-se necessário um maior número de estudos sobre os organismos marinhos. O presente trabalho teve como objetivo estudar os rodolitos de uma região do infralitoral do Litoral Norte da Bahia. Analisaram-se os rodolitos verificando a densidade, dimensão e volume, e flora associada para cada profundidade. Foram delimitados cinco pontos de mergulho autônomo (5, 10, 15, 20 e 25 metros), entre as coordenadas 12,90º e 12,70º de latitude sul e 38,20º 38,00º de longitude oeste, em cada profundidade foram determinados três pontos de coletas distantes 50 metros entre si, onde foram obtidas cinco amostras ao acaso com o uso de um quadrado de 0,0625m². Acima dos 15 metros de profundidade o substrato apresentou fragmentos de origem orgânica e areia, nos 25 metros o substrato era composto por cascalho biodetrítico. As dimensões e o volume dos rodolitos reduziram com a profundidade, enquanto a densidade teve um significante acréscimo aos 25 metros. Um total de 40 espécies de algas foram encontradas crescendo associadas ao banco de rodolitos, o qual é formado pelas espécies LithophyllumstictaeformeLithothamnionsuperpositume Mesophyllumerubescens. Um total de 40 espécies de algas foram encontradas crescendo sobre os rodolitos: 2 espécies de Cianobactéria, 5 de Chlorophyta, 8 de Phaeophyceae e 25 de Rhodophyta.


Estudo da variabilidade espaço-temporal dos parâmetros físicos da água do mar correlacionados com o branqueamento de corais no Oceano Atlântico Sul

 

Danilo Lisboa* e Ruy K. P.Kikuchi

 

Universidade Federal da Bahia, Salvador, Brasil

Grupo de Pesquisa em Recifes de Corais e Mudanças Globais RECOR

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Extensivas investigações acerca dos efeitos das mudanças climáticas no ambiente marinho apontam para o aumento da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) como provável causa principal do branqueamento dos corais, perda da relação simbiótica entre o coral e suas zooxantelas. Entretanto, outros parâmetros da água do mar, como turbidez e quantidade de luz disponível, exercem papéis secundários, mas reconhecidamente importantes na determinação da extensão e severidade dos eventos de branqueamento. Portanto, nesta pesquisa dados de sensoriamento remoto com resolução espacial de 4 Km de TSM, concentração de clorofila, coeficiente de atenuação difusa da luz (Kd-490) e radiação fotossintetizante (PAR) dos bancos de dados OSTIA (OperationalSeaSurfaceTemperatureandSea Ice Analysis) e MODIS (ModerateResolutionImagingSpectroradiometer) foram analisados no Oceano Atlântico Sul Ocidental no período de 1985 à 2012. Desta forma, buscou-se gerar embasamento teórico acerca das condições físico-químicas da água do mar que forçam o branqueamento dos corais. Doze estações virtuais, agrupadas em três áreas, foram escolhidas para se investigar o comportamento anômalo dos parâmetros através da análise de séries de anomalias e da Transformada Rápida de Fourier (TRF). Além disso, foram gerados diagramas Hovmoller (longitude x tempo) das anomalias buscando observar seus padrões de propagação espaço-temporal. As análises das séries e dos diagramas detectaram três períodos com fortes anomalias positivas: 1988, 1998 e em torno do ano de 2010. Em algumas estações foram detectados picos de alta energia nas análises de TRF das anomalias indicando a presença de sinais anômalos com períodos interanuais. Os métodos e os dados utilizados nesta pesquisa mostraram-se de grande utilidade na investigação qualitativa de comportamentos anômalos dos quatro parâmetros para o período e locais estudados.


EFEITO DO AUMENTO DA TEMPERATURA DA ÁGUA SOBRE O CRESCIMENTO DOS CORAIS CONSTRUTORES DOS RECIFES DA BAHIA – ESTUDO EXPERIMENTAL COM O CORAL ENDÊMICO MUSSISMILIA BRAZILIENSIS VERRIL 1868

 

Mariana M. Silva*, Marília D. M. Oliveira, Zelinda M. A. N. Leão e Ruy K. P. Kikuchi

 

Laboratório de Estudo dos Recifes de Corais – RECOR, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia, InctAmbtropic

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O aumento da temperatura da superfície do mar, impulsionado pelas mudanças das condições climáticas globais, tem sido apontado como um dos principais fatores que afetam a vitalidade dos corais, causando branqueamento e redução do seu crescimento. Diante disso, um experimento manipulativo em aquários foi realizado para avaliar o efeito do aumento da temperatura da água sobre o crescimento do esqueleto do coral Mussismiliabraziliensis. Dezoito colônias do coral, medindo de 5 a 8 cm de diâmetro, foram coletadas no recife Pedra de Leste, no arco costeiro de recifes de Abrolhos. Com estas colônias foram formados três grupos experimentais. As temperaturas utilizadas tiveram como base as médias anuais e sazonais da temperatura da superfície da água do mar de Abrolhos. O crescimento das colônias foi mensurado pela medida direta do esqueleto dos corais marcados com Alizarina sódica após 22 semanas de experimento. A exposição dos exemplares do grupo controle, à temperatura da água de 26°C, resultou em uma maior extensão linear média dos septos (2,6846 ± 0,5513 mm) e das regiões interseptais (1,5412 ± 0,6636 mm). O grupo submetido à temperatura de 28°C, por oito semanas, resultou na redução na extensão linear média dos septos (25,11%) e das regiões interseptais (25,32%), enquanto que para os exemplares expostos a 30°C, por cinco semanas, foi verificado uma redução significativa na extensão linear média dos septos (35,91%) e das regiões interseptais (58,84%). Isso sugere que a espécie M. braziliensis apresenta uma alta sensibilidade ao estresse térmico e, portanto, uma baixa tolerância às elevações anômalas das águas oceânicas, sendo vulnerável às mudanças climáticas globais. Combinando esses dados com as previsões do Painel Intergovernamentalsobre Mudanças Climáticas o aumento da temperatura da água pode afetar diretamente a extensão linear do coral M. braziliensis podendo comprometer a manutenção e a vitalidade dos recifes de corais da Bahia.

 


efeitos das VARIAÇÕES climáticas sobre os recifes de corais da costa leste do Brasil

 

Ruy K.P. Kikuchi*, Marília D.M. Oliveira, Igor C. Cruz, Saulo Spanó, Miguel L. Miranda, Carlos V. Mendonça, Rodrigo M. Reis, Tiago Albuquerque, Lucas Rocha, Amanda E. Carvalho, Carla Ramos, Eduardo Marocci, José Anchieta, Carla I. Elliff, Camila Brasil, Danilo Lisboa, Ricardo Miranda, Gustavo L. Oliveira, Mariana Thévenin, Rodrigo M. Nogueira, Vinicius Fernandes, Marcéu Lima, Lua Porto e Zelinda M.A.N. Leão

 

Laboratório de Estudos dos Recifes de Corais - RECOR, Instituto de Geociências, Universidade Federal da Bahia - UFBA, InctAmbTropic, Rua Barão de Jeremoabo s/n, Campus de Ondina, Salvador, 40170-115, Bahia

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A temperatura dos oceanos constitui um dos fatores mais amplamente investigados em tempo das mudanças climáticas e tem sido apontada como um dos mais importantes agentes ambientais que controlam o crescimento dos corais. Como consequência do aquecimento do mar, os corais têm sido expostos ao estresse térmico com elevada frequência e intensidade.Um aumento pequeno da temperatura das águas pode provocar o branqueamento, que é um processo relacionado à perda, pelos corais, das suas algas fotossintetizantes - as zooxantelas e/ou a perda dos pigmentos dessas algas. As zooxantelas dão a cor ao coral e produzem componentes orgânicos que lhes servem de alimento e, em contrapartida, o coral lhes provê abrigo e elementos químicos necessários à sua sobrevivência. Distúrbios ambientais podem interromper esta simbiose e a incidência e a severidade deste fenômeno podem provocar mudanças na estrutura das comunidades coralinas, causando diminuição do crescimento linear e redução da taxa de calcificação do esqueleto dos corais e, consequentemente, ameaçando a manutenção e o desenvolvimento da estrutura recifal. No Brasil, registros de branqueamento datam a partir do verão de 1993/1994 com ocorrências nos recifes localizados desde a costa nordeste até comunidades de corais da costa de São Paulo. Na costa leste existem levantamentos desde o ano de 2000 e todos indicam que o branqueamento está relacionado ao aumento da temperatura das águas oceânicas. A avaliação dos efeitos das variações climáticas sobre a comunidade recifal do Brasil é uma das metas da ReBentos, e uma das estratégias mais utilizadas para medir estes efeitos é avaliar o branqueamento dos corais durante e após a ocorrência de anomalias térmicas. No verão 2009/2010 estas anomalias térmicas alcançaram valores de até 1oC e os percentuais de colônias branqueadas nos recifes investigados variaram em torno de 20% a 40%, enquanto que nos anos de 2011, 2012 e 2013, quando não ocorreram anomalias térmicas, na maioria dos recifes o percentual de branqueamento não atingiu 10%. Para avaliar os efeitos deste evento de branqueamento foram levantados parâmetros que medem a vitalidade dos corais e os resultados mostram que não houve efeito negativo do branqueamento com indício de recuperação de alguns desses parâmetros.


Impacto da acidificação da água do mar sobre a meiofauna de recifes de coral

 

Visnu C. Sarmento*, Tarciane P. Souza, André M. Esteves**e Paulo J.P. Santos

 

Universidade Federal de Pernambuco, Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Zoologia, Av. Prof. Morais Rêgo s/n, 50670-420, Recife, Pernambuco, Brasil.

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Apesar do esforço da comunidade científica em compreender os efeitos das mudanças climáticas, estudos com comunidades bentônicas multiespecíficas são incipientes. Neste trabalho foi avaliado o efeito de diferentes níveis de pH da água do mar sobre a comunidade de meiofauna dos recifes do Parque Municipal Marinho do Recife de Fora (Porto Seguro, Bahia). Foram fixadas 38 unidades artificiais de substrato (UAS: grama sintética, 36 cm2 de área) nas laterais de piscinas do Recife de Fora. Após 30 dias de colonização, as UAS foram levadas para o sistema de Mesocosmo Marinho do Projeto Coral Vivo. Na chegada, 6 UAS foram fixadas e as demais distribuídas nos 16 tanques (2 por tanque). Nesse sistema a água do mar é captada e bombeada para 4 cisternas que recebem em fluxo contínuo um de quatro tratamentos: controle e as reduções de pH -0,3, -0,6, -0,9. A redução de pH foi realizada através da injeção direta de CO2 nas cisternas. A água de cada uma das cisternas é então enviada para quatro tanques. A acidificação foi controlada por um sistema computadorizado para que as reduções seguissem as variações da água captada. As UAS foram coletadas após 15 e 30 dias de tratamento. As amostras foram fixadas, lavadas em peneiras geológicas (0,5 e 0,044 mm) e a meiofauna retida analisada sob estereomicroscópio. A análise multivariada PERMANOVA indicou que houve diferenças significativas na estrutura da comunidade da meiofauna tanto para o fator Tempo (p<0,01), quanto para o fator Tratamento (p=0,02). O teste a posteriori indicou que o Controle foi estatisticamente diferente dos tanques acidificados (p=0,01). Entretanto, não houve diferenças significativas (p>0,3) entre os três níveis de acidificação. Estes resultados comprovam que o impacto da acidificação da água do mar, que pode ser determinado pelas mudanças climáticas globais tem efeitos importantes na estruturação das comunidades bentônicas marinhas.


Sazonalidade no recrutamento de Phragmatopoma caudata (Polychaeta: Sabellariidae) em unidade de conservação na costa sudeste do Brasil: pico nas estações chuvosas

 

LarisseFaroni-Perez

 

Núcleo de Estudos do Mar, Centro de Ciências Biológicas, Universidade Federal de Santa Catarina – Campus Universitário Trindade, 88040-900, Florianópolis, SC - Brasil.

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Poliquetas da família Sabellariidae são organismos biomineralizadores, com estágio adulto séssil e tubícola. Algumas espécies de sabelarídeos constroem substratos biogênicos na entremarés em consequência do local de assentamento ser induzido pelo cimento secretado por organismos pré-estabelecidos. Diante desta peculiaridade de criar substratos tridimensionais, estes poliquetas são classificados como engenheiros de ecossistemas. Na costa brasileira, o sabelarídeoPhragmatopomacaudata apresenta ampla ocorrência geográfica nas zonas entremarés. Embora a espécie seja amplamente estudada no âmbito morfológico e da fauna associada, pouco se conhece sobre a estrutura populacional destes poliquetas. Com o objetivo de avaliar o recrutamento juvenil, a população de P. caudata no Parque Estadual Xixová-Japuí, Estado de São Paulo foi examinada para verificar possível existência de padrão sazonal na abundância de juvenis. Durante dois anos (fev/2007 à jan/2009), a população foi amostrada mensalmente com a utilização de um core de 3,45 cm2, inserido até 15 cm de profundidade. Cada estação sazonal considerada por este estudo compreende três meses consecutivos, de modo a cobrir as duas maiores estações anuais; chuvosa e seca. Todos os indivíduos amostrados foram contabilizados e tiveram o comprimento da coroa opercular mensurados para classificação etária (adulto/juvenil). As análises estatísticas revelaram existir variação significativa na composição juvenil entre as estações chuvosa e seca. Apesar da presença de juvenis em meses de seca, as estações chuvosas contemplaram mais de 90% dos juvenis amostrados. A passagem dos sistemas frontais nos meses de seca pode ser a dirigente das baixas taxas de recrutas, e a elevada biomassa fitoplanctônica nas estações chuvosas pode ser a dirigente das altas taxas de recrutas na estação. Portanto, o padrão sazonal de juvenis observado pode estar relacionado com fatores biológicos (e.g. produção de gametas e ciclo de vida) e abióticos (e.g. suprimento alimentar e sistemas frontais).


Alterações Climáticas e de uso da terra e seus Impactos nos Manguezais do Estuário do Rio Jaguaribe-CE

 

Mario Duarte Pinto Godoy* e Luiz Drude de Lacerda

 

Universidade Federal do Ceará, Instituto de Ciências do Mar, Avenida da Abolição, 3207–Meireles, CEP 60165-081, Fortaleza, Ceará, Brasil

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O rio Jaguaribe drena a maior bacia hidrográfica do Ceará e possuí 87 açudes de médio e grande porte utilizados para a manutenção de diversas atividades humanas. As previsões feitas pelo IPCC para essa região são de uma diminuição de 10% a 30% do runoff continental devido à diminuição das chuvas. O objetivo do estudo foi verificar mudanças climáticas dentro da bacia hidrográfica do Rio Jaguaribe e a resposta do manguezal às alterações que ocorrem na bacia. Foi feito um levantamento histórico das estações de pluviosidade nas sedes dos municípios da bacia hidrográfica para a criação de um mapa de tendência de chuvas, foi feito também um mapeamento dos manguezais com uma série histórica de imagens Landsat5 dos anos de 1992 até 2010 onde foi realizada uma classificação supervisionada por máxima verossimilhança. O mapeamento das áreas de manguezais no estuário do Rio Jaguaribe não mostrou grandes mudanças na área dessa vegetação, em 1992 a área de manguezal era de 7 km² e em 2010 era de 7,30 km², no entanto, a distribuição da vegetação dentro do estuário mudou bastante ao longo dos anos; no início do mapeamento os manguezais não alcançavam a cidade de Aracati (15 km da foz do rio) e atualmente podem ser encontrados em locais próximos à cidade de Itaiçaba (25 km da foz). Outro estudo mostrou que as ilhas estuarinas possuem um papel importante no aumento das áreas de manguezal, esse estudo calculou um crescimento de 24,15 hectares entre 1988 e 2010. Também foi descoberto que 48 municípios na bacia possuem uma tendência negativa de chuvas anuais e somente 10 possuem uma tendência positiva. Essa diminuição das chuvas, juntamente com as barragens e alterações no uso da terra podem explicar o acúmulo de sedimento no estuário e o avanço do manguezal.


A Gestão Pública Ambiental em Unidades de Conservação Marinho-Costeira e os Efeitos das Mudanças Climáticas: estudo do ecossistema estuarino situado na interface entre a Bacia Hidrográfica do Rio Urussanga e a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca – Santa Catarina

 

Carlyle T. B. de Menezes*,Álvaro J. Back,Marta V. G. de Souza Hoffmann e P. T. Pavei

 

Universidade do Extremo Sul Catarinense (UNESC) – Criciúma, Santa Catarina

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Diante do cenário de alterações provocadas pelas mudanças climáticas, verifica-se a necessidade de estudos mais aprofundados sobre os recursos hídricos, sobretudo devido a sua complexidade, as regiões estuarinas. As mudanças climáticas intensificarão os impactos sobre a zona costeira e a biodiversidade marinha, e aumentarão as atuais fontes de estresse, com a destruição de habitats e perda de espécies. Neste trabalho foi realizado um estudo do estuário da Bacia Hidrográfica do Rio Urussanga, município de Jaguaruna, Santa Catarina, que insere-se no interior de uma importante unidade de conservação marinho-costeira, a Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca. Nessa área o transporte de poluentes oriundos de diversas atividades, sobretudo oriundos de mineração de carvão, bem como os efeitos recorrentes de intensas chuvas, frequentes inundações e elevação do nível do mar, com frequentes ressacas, têm provocado sérios prejuízos humanos e materiais às populações residentes nessa região. Estes problemas são agravados pela falta de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento e uso adequado dos recursos naturais. As transformações ocorridas nas últimas décadas na comunidade da Barra do Torneiro, situada na região estuarina da Bacia do Rio Urussanga têm inviabilizado a atividade de pesca na região, onde uma antiga comunidade de pescadores artesanais atualmente encontra-se bastante reduzida. O estudo realizado permitiu conhecer aspectos necessários à formulação de políticas públicas voltadas à mitigação dos impactos socioambientais. Neste contexto, a criação e o fortalecimento de espaços especialmente protegidos, tais como unidades de conservação são importantes fatores para a minimização e adaptação aos efeitos das mudanças climáticas. A gestão pública ambiental por meio da participação da sociedade no Conselho Gestor da APA da Baleia Franca têm contribuído nos últimos anos para a construção de um espaço e território dotados de melhores condições para fazer frente às graves consequências das mudanças climáticas previstas para os ambientes marinho-costeiros.


INCORPORAÇÃO DA DIMENSÃO CLIMÁTICA NO ORDENAMENTO JURÍDICO BRASILEIRO: ANÁLISE DE CASO DO ESTADO DE SÃO PAULO

 

Bruno K. Sabbag1,*, Ana M. Nusdeo2 e Sônia M. F. Gianesella1,3

 

1PROCAM-Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental/ IEE/USP

2Faculdade de Direito, USP

3Instituto Oceanográfico, USP

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A partir da publicação da Política Nacional sobre Mudança do Clima, o Brasil tem publicado inúmeras leis sobre o assunto, mas tem-se verificado dificuldades em sua aplicação. Apesar disso, pouco se tem escrito com o objetivo de identificar os aspectos mais críticos que permitam auxiliar a revisão e aprimoramento do marco jurídico-climático no país. O objetivo principal deste estudo foi realizar uma análise crítica da Política Nacional sobre Mudança do Clima e mais especificamente da Política sobre Mudança do Clima do Estado de São Paulo, a fim de avaliar se o processo de incorporação da dimensão climática no ordenamento jurídico brasileiro, e em especial no Estado de São Paulo, tem sido adequado e, em caso negativo, porque isso não ocorreu.Apesar de terem sido identificadas mais de 100 leis do Brasil sobre mudança do clima, a análise crítica limitou-se à legislação federal e paulista sobre o assunto. Também foram levantados e analisados casos já levados ao Poder Judiciário.Os resultados da análise permitiram verificar que os principais aspectos críticos dos marcos legais em nível nacional e estadual apontam para a ausência de clareza na alocação de responsabilidades dos setores envolvidos. Além disso, a lei paulista adotou uma meta de redução de emissões que tem se mostrado inatingível, o que gera insegurança jurídica e prejudica a eficácia das normas. Finalmente, algumas recomendações são apresentadas para o aprimoramento dos marcos legais.

 


Percepções sobre meio ambiente e o mar por interessados em ecoturismo marinho na área de proteção ambiental marinha de armação de búzios, RJ, Brasil.

 

Alexandre de G. Pedrini1,*, Daniel S.da Brotto2, Marcela C. Lopes1, Luisa P. Ferreira1 e Natalia P. G.-Lopes3

 

1Universidade do Estado do Rio de Janeiro

2Universidade Veiga de Almeida

3Universidade Federal do ABC

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É imperativa a avaliação de concepções ambientais previamente à proposição de ações de educação ambiental. Neste trabalho, 78 questionários foram preenchidos por interessados em ecoturismo em Armação de Búzios, a respeito de seus conceitos sobre meio ambiente e meio ambiente marinho. Os respondentes apresentaram na maioria 41 a 50 anos, nível superior e renda de 1 a 4 salários mínimos. Aqueles originários da Região dos Lagos apresentaram o conceito integrador com frequência significativamente mais baixa (Qui-quadrado, χ2 = 8,73, p < 0,5%) que os demais. Não foi observada diferença significativa (χ 2 = 0,811, p > 5%) para a concepção de meio ambiente entre os sexos. Verificou-se que a maioria dos respondentes (61%) não soube conceituar apropriadamente o ambiente marinho. Foram observadas diferenças significativas (p<5%) quanto à origem e sexo dos respondentes para este conceito. É urgente a implantação de programas de Informação e Educação Ambiental, direcionados a todos os segmentos sociais locais.


Mexilhões: Avaliando e fomentando a participação social conciliada a mitilicultura

 

Daniel Shimada Brotto1,*, Marcia Esteves Capello1, Lucilia Ramos Tristão1e Marli CigagnaWiefels2

 

1Universidade Veiga de Almeida

2Universidade Federal Fluminense

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Não obstante as suas vocações naturais serem a pesca artesanal, a mitilicultura e o turismo, o bairro de Jurujuba tem enfrentado desde a década de 80 uma “onda” de problemas. A vila de pescadores deu lugar a um bairro onde se misturam restaurantes de frutos do mar, enlatadoras de pescado falidas, mitiliculturas, clubes náuticos e uma comunidade bastante variada, predominantemente de baixa renda. Não obstante as condições questionáveis das águas da enseada de Jurujuba, a mitilicultura despontou como importante atividade econômica na região em fins da década de 80 e inicio de 90. Este projeto de extensão visa avaliar a percepção sócio-ambiental de atores sociais, os meios de produção que dependam dos ecossistemas costeiros, a existência e a eficácia das políticas sócio-ambientais implementadas na região, assim como a proposição da adequação dos sistemas de produção e formas de aproveitamento das conchas residuais, fomentando a percepção da situação sócio-ambiental presente, visando a emancipação social dos cidadãos e a promoção da saúde e diversidade cultural. As ações têm como público alvo os estudantes do ensino médio de um colégio da rede pública localizado no bairro, além de atores sociais envolvidos com a mitilicultura, inicialmente, buscou-se identificar o perfil, demandas, pontos críticos e potenciais deste público alvo, para a posterior elaboração e desenvolvimento de ações em educação ambiental e transmissão de conteúdos específicos referentes a adequação da mitilicultura e o aproveitamento das conchas residuais. Para isso vem sendo desenvolvidas oficinas, palestras e trabalhos de campo com os temas avaliação ambiental e comunidades bênticas com os alunos do colégio, e em paralelo vêm sendo realizadas observações e entrevistas para a aquisição de informações que possam ser utilizadas na descrição da atividade da mitilicultura na região para a idealização de ações focadas na otimização do processo produtivo e o aproveitamento das conchas.

 

<![if !supportFootnotes]>

<![endif]>

<![if !supportFootnotes]>[1]<![endif]>Espermatófitas são plantas vasculares que produzem flores, frutos e sementes. Espermtófitas marinhas são um grupo particular destas plantas, altamente adaptadas à crescer e se reproduzir em ambientes estuarinos e marinhos.